. Há muitos que não sabem que estão nos males, porque não os praticam nos externos. Com efeito, temem as leis civis e também a perda da reputação; assim, por costume e por hábito se imbuem de fugir dos males como danosos à sua honra e ao seu ganho. Mas, se não fogem dos males por um princípio da religião, por serem pecados e serem contra Deus, então neles permanecem as concupiscências dos males com os prazeres das concupiscências, como águas represadas e estagnadas. Que examinem os seus pensamentos e as suas intenções e os acharão tais, se apenas souberem o que é o pecado.
[2] Assim são os muitos que se confirmaram na fé separada da caridade, os quais, porque crêem que a lei não os condena, sequer prestam atenção aos pecados. E alguns duvidam que os pecados existam e, se existem, não aparecem diante de Deus, porque foram perdoados. Tais são, também, os moralistas naturais, que crêem que a vida moral e civil com sua prudência produz todas as coisas e que a Divina Providência nada faz. Tais são, ainda, os que procuram com muito afinco uma reputação de honestidade e sinceridade por causa da honra ou por causa do ganho. Mas os que são tais e, ao mesmo tempo, menosprezam a religião, após a morte se tornam espíritos de concupiscências, que aparecem a si mesmos como se fossem homens, mas de longe e aos outros aparecem como príapos, e vêem nas trevas e não na luz, como as corujas.
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