. Ora, visto que os prazeres das afeições do homem o arrastam, dos íntimos, pelos interiores para os exteriores e, finalmente, para os extremos que estão no corpo, como a onda e a atmosfera arrastam um navio, e nada disso aparece ao homem senão o que se faz nos extremos da mente e nos extremos do corpo, de que maneira pode então o homem reivindicar para si o Divino unicamente pelo fato de esses poucos extremos parecerem como seus? E ainda menos deve ele reivindicar para si o Divino quando sabe, pela Palavra, que o homem não pode tomar coisa alguma de si mesmo, a menos que isso lhe seja dado do céu, e quando sabe, pela razão, que essa aparência lhe foi dada para que viva como homem, veja o que são o bem e o mal, escolha ou um ou outro, aproprie a si o que escolheu, a fim de que possa ser reciprocamente conjunto ao Senhor, ser reformado, regenerado, salvo e viver na eternidade. Foi dito e mostrado acima que essa aparência foi dada ao homem para que ele aja pelo livre segundo a razão, assim, como por si mesmo, e não encolha a sua mão esperando pelo influxo. Daí se segue que fica confirmado o que era para ser demonstrado em terceiro lugar, ou seja, [(iii.)] que as afeições do amor da vida do homem são conduzidas pelo Senhor por meio de Sua Divina Providência e, ao mesmo tempo, também os pensamentos, de que vem a prudência humana.
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