DIVPROV &212

Sabedoria Angélica sobre a DIVINA PROVIDÊNCIA
Emanuel Swedenborg
Doutrina da Nova Jerusalém sobre a Divina Providência

. Quem é que não fala da sorte? E quem não a reconhece, porque a nomeia e porque sabe alguma coisa dela pela experiência? Mas, quem sabe o que ela é? Não se pode negar que é alguma coisa, pois ela é e acontece. E uma coisa não pode ser e existir sem uma causa, mas a causa dessa coisa ou da sorte é ignorada. Mas, a fim de não ser negada apenas pelo fato de a sua causa ser ignorada, toma dados ou cartas de baralho, e joga, ou consulta os jogadores. Qual deles nega a sorte? Pois jogam admiravelmente, eles com ela e ela com eles. Quem pode ir contra ela, se ela se obstina? Não riem, então, a prudência e a Providência? E não é que, enquanto rolas os dados e embaralha as cartas, ela sabe, por assim dizer, e dispõe as voltas e mudanças dos movimentos das mãos, para favorecer um mais que a outro por alguma causa? Pode essa causa existir por outra origem senão a Divina Providência nos últimos, nos quais ela atua admiravelmente com a prudência humana pelas constância e inconstância, ao mesmo tempo que permanece oculta?
[2] Sabe-se que os gentios de outrora tinham reconhecido a sorte [Fortuna] e lhe construíram um templo, mesmo os italianos, em Roma. A respeito dessa sorte, que é, como se disse, a Divina Providência nos últimos, foi-me dado saber muitas coisas que não é lícito manifestar e pelas quais tornou-se-me evidente que não é uma ilusão da mente, nem um jogo da natureza, nem algo sem uma causa, pois isso nada é, mas, sim, um testemunho ocular de que a Divina Providência está nas coisas mais singulares dos pensamentos e das ações do homem. Como a Divina Providência está nas mais singulares das coisas vis e frívolas, como não estaria nas mais singulares das coisas que não são vis nem frívolas, que são as coisas da paz e da guerra no mundo, e as coisas da salvação e da vida no céu?

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