. (ii.) As eternas se referem às honras e riquezas espirituais, que são do amor e da sabedoria no céu. Visto que o homem natural chama bens os prazeres do amor de si, que são também os prazeres das concupiscências do mal, e também confirma que são bens, por isso chama bênçãos Divinas as honras e as riquezas. Mas quando esse homem natural vê que os maus, igualmente aos bons, são elevados às honras e promovidos às riquezas, e ainda mais quando vê que os bons estão no desprezo e na pobreza enquanto os maus estão na glória e na opulência, pensa em si mesmo: "O que é isso? Não pode ser a Divina Providência, pois se ela governasse todas as coisas cumularia os bons de honras e de riquezas, e afligiria os maus com pobreza e desprezo, e assim impeliria os maus a reconhecerem que há um Deus e uma Divina Providência."
[2] Mas o homem natural, a menos que tenha sido iluminado pelo homem espiritual, isto é, a menos que seja ao mesmo tempo espiritual, não vê que as honras e as riquezas podem ser bênçãos e podem também ser maldições; e, quando são bênçãos, vêm de Deus, mas quando são maldições, vêm do diabo. Sabe-se que as honras e riquezas são dadas também pelo diabo, pois por isso é que é chamado príncipe do mundo. Ora, porquanto se ignora quando as honras e as riquezas são bênçãos e quando são maldições, deve-se dizê-lo, mas nesta ordem: Primeiro: As honras e as riquezas são bênçãos e são maldições. Segundo: As honras e as riquezas, quando são bênçãos, são espirituais e eternas; mas, quando são maldições, são temporárias e perecíveis. Terceiro: As honras e as riquezas que são maldições, relativamente às honras e riquezas que são bênçãos, são como nada relativamente a tudo, e como o que em si não é relativamente ao que em si é.
Versão Impressa
Para estudo mais confortável, adquira esta obra em formato impresso.