DIVPROV &224

Sabedoria Angélica sobre a DIVINA PROVIDÊNCIA
Emanuel Swedenborg
Doutrina da Nova Jerusalém sobre a Divina Providência

. Quem não pode ver que é do interno que o externo existe e, conseqüentemente, que o externo tem sua essência pelo interno? E quem não sabe pela experiência que o externo pode aparentar outra coisa que não é segundo a essência proveniente do interno? Porquanto isso se mostra manifestamente nos hipócritas, bajuladores e dissimulados. E que o homem possa simular nos externos uma personalidade que não é a sua, isso se vê pelos comediantes e atores, pois esses sabem representar reis, imperadores e mesmo anjos, pelo som, pela linguagem, pela face e pelos gestos, como se fossem eles, quando, todavia, não são mais do que histriões. Isto também se disse porque o homem pode semelhantemente agir como sicofanta tanto nas coisas civis e morais quanto nas espirituais, e até se sabe que muitos assim agem.
[2] Quando, pois, o interno em sua essência é infernal e o externo em sua forma aparenta ser espiritual, ainda que o externo tire sua essência do interno, como se disse, pergunta-se onde essa essência se encerra no externo. Ela não aparece nos gestos, nem no som, nem na linguagem, nem na face, mas, não obstante, encerra-se interiormente nesses quatro. Que se encerre interiormente nesses, vê-se manifestamente por essas mesmas pessoas no mundo espiritual, pois quando o homem vem do mundo natural ao mundo espiritual, o que acontece quando morre, então deixa com o corpo os seus externos e retém os seus internos, os quais ocultou em seu espírito. E então, se seu interno foi infernal, mostra-se como um diabo, como também tinha sido quanto ao espírito, quando viveu no mundo. Quem não reconhece que todo homem deixa os externos com o corpo e entra nos internos quando se torna espírito?
[3] A isso acrescentarei também o seguinte: no mundo espiritual há uma comunicação das afeições e, daí, dos pensamentos, donde resulta que ninguém pode falar diferentemente do que pensa. Além disso, também, cada um ali muda a face e se torna semelhante à sua afeição, a fim de que pela face também se mostre qual é. Às vezes se concede aos hipócritas falarem diferentemente do que pensam, mas o som de sua linguagem é ouvido em inteira discordância com os interiores de seus pensamentos, e por essa discordância eles são descobertos. Daí se pode ver que o interno se acha encerrado interiormente no som, na linguagem, na face e nos gestos externos, e isso não é percebido pelos homens no mundo natural, mas é percebido claramente pelos anjos no mundo espiritual.

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