. Nenhum homem que desconhece as coisas santas as profana assim, pois quem as desconhece não pode reconhecê-las e em seguida negá-las. Por isso, aqueles que estão fora do mundo cristão e não conhecem coisa alguma a respeito do Senhor e da redenção e salvação por Ele não profanam essa santidade quando não a recebem, nem mesmo quando falam contra ela. Os próprios judeus não profanam essa santidade, porque desde a infância não querem recebê-la e reconhecê-la; seria diferente se a recebessem, reconhecessem e em seguida negassem, o que, todavia, raramente acontece. Com efeito, muitos dentre eles a reconhecem exteriormente e a negam interiormente, sendo semelhantes aos hipócritas. Mas profanam as coisas santas por sua mistura com as profanas aqueles que primeiro as recebem e reconhecem mas, em seguida, se afastam e as negam.
[2] Não importa se na infância e na meninice recebam e reconheçam: isso todo cristão faz, pois então não recebem nem reconhecem as coisas que são da fé e da caridade por alguma racionalidade e liberdade, isto é, no entendimento pela vontade, mas somente pela memória e pela fé no mestre. E se vivem segundo essa fé, é por uma obediência cega. Mas quando o homem entra no uso de sua racionalidade e liberdade, o que acontece gradativamente à medida que entra na adolescência e na idade adulta, se então reconhece os veros e vive segundo eles, e depois os nega, mistura as coisas santas com as profanas, e de homem se torna tal monstro, como anteriormente se disse. Se porém o homem está no mal desde o tempo de sua racionalidade e liberdade, isto é, tornou-se senhor de si mesmo na idade adulta e depois reconhece os veros da fé e vive segundo eles, não os mistura, contanto que então permaneça neles até o fim da vida, pois o Senhor então separa os males da vida anterior dos bens da vida posterior. Isto se dá com todos os que praticam a penitência. Sobre este assunto, porém, ver-se-ão muitas coisas na seqüência.
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