. (i.) Que o mais sábio dos homens, Adão, e a sua esposa se deixaram seduzir pela serpente, e que Deus não tenha evitado isso por Sua Divina Providência é porque por Adão e sua esposa não se entendem os primeiros de todos os homens criados neste mundo, mas os homens da Igreja Antiqüíssima, cuja nova criação ou regeneração foi assim descrita. Sua nova criação mesma ou regeneração foi descrita no capítulo primeiro [de Gênesis] pela criação do céu e da terra; sua sabedoria e inteligência, pelo jardim do Éden; e o fim daquela Igreja, pela ação de comerem da árvores da ciência. Com efeito, em seu seio a Palavra é espiritual, contendo arcanos da Divina Sabedoria, e para que estes fossem ali contidos, ela foi escrita por meras correspondências e representações. Por aí é evidente que os homens daquela Igreja - que eram sapientíssimos no princípio, mas, no fim, se tornaram os piores, por causa do orgulho da própria inteligência - não foram seduzidos por serpente alguma, mas pelo amor de si, que ali é a "cabeça da serpente", a qual a Semente da mulher, isto é, o Senhor, iria calcar aos pés.
[2] Quem não pode, pela razão, ver que devem ser entendidas outras coisas além das que estão ali relatadas historicamente? Pois quem pode compreender que a criação do mundo tenha sido tal como foi ali descrita? Por isso é também que os eruditos se esforçam na explicação do que se acha no primeiro capítulo, confessando finalmente que o não compreendem. Assim, que no jardim ou o paraíso deles tenham sido postas duas árvores, uma de vida e outra de ciência, e esta como pedra de tropeço, de modo que somente pela ação de comerem dessa árvore tenham prevaricado a tal ponto, que não somente eles, mas também todo o gênero humano, sua posteridade, ficasse sujeito à condenação. Além disso, que alguma serpente tenha podido seduzi-los, fora outras coisas ali, como que a esposa tenha sido criada da costela do marido, que tenham reconhecido sua nudez após a queda e a tenham coberto com folhas de figueira; que lhes tenham sido dadas túnicas de peles para cobrirem o corpo e que depois tenham sido postos querubins com espada flamejante para guardar o caminho da árvore de vida.
[3] Todas essas coisas são representativas pelas quais se descreve a instauração da Igreja Antiqüíssima, seu estado, sua mudança e, finalmente, sua destruição. Os arcanos de todas elas, que estão contidos no sentido espiritual que está em cada coisa ali, podem ser vistos como se acham explicados nos Arcanos Celestes sobre Gênesis e Êxodo, publicados em Londres, pelos quais também se pode ver que pela 'árvore de vida' ali se entende o Senhor quanto à Sua Divina Providência, e pela 'árvore da ciência' se entende o homem quanto à própria prudência.
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