DIVPROV &257

Sabedoria Angélica sobre a DIVINA PROVIDÊNCIA
Emanuel Swedenborg
Doutrina da Nova Jerusalém sobre a Divina Providência

. (iv.) O homem meramente natural se confirma contra a Divina Providência pelo fato de que em muitos reinos, onde a religião cristã foi aceita, há os que se arrogam poder Divino e querem ser adorados como deuses, e pelo fato de se invocarem homem mortos. Dizem, na verdade, que não arrogam para si poder Divino e que não querem ser adorados como deuses, mas dizem, todavia, que podem abrir e fechar o céu, perdoar e reter pecados, por conseguinte, salvar e condenar os homens, e isto é o Divino mesmo, pois a Divina Providência não tem outro fim senão a reforma e, assim, a salvação. Esta é a sua operação contínua em cada um, e a salvação não é possível senão pelo reconhecimento do Divino do Senhor e pela confiança de que Ele salva quando o homem vive segundo os Seus preceitos.
[2] Quem não pode ver que isso é a Babilônia descrita no Apocalipse e a Babel de que se trata em vários lugares nos Profetas? Que seja também Lúcifer, vê-se em Isaías 14, do versículo 4 ao 22 desse capítulo, em que se acham estas palavras:
"Proferirás esta parábola sobre o rei de Babel" (Is. 14: 4);
em seguida:
"Cortarei de Babel o nome e o que resta" (Is. 14: 22),
pelo que está claro que 'Babel' aí é Lúcifer, de quem se disse:
"Como caíste desde o céu, ó Lúcifer, filho da aurora... Contudo disseste em teu coração: Aos céus subirei; sobre as estrelas de Deus exaltarei meu trono, e sentar-me-ei na montanha da convenção, nos lados do norte; subirei sobre altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo" (Is. 14: 12-14).
Que se invoquem homens mortos e orem para que os socorram, isso é notório. Diz-se que eles invocam, porque a invocação deles foi estabelecida por bula papal confirmando o decreto do Concílio de Trento, no qual se diz abertamente que devem ser invocados. Quem, todavia, não reconhece que somente Deus deve ser invocado e não algum homem morto?
[3] Mas vai-se dizer agora por que o Senhor permitiu tais coisas. Que as permitiu por causa do fim, que é a salvação, não se pode negar, pois se sabe que sem o Senhor não há salvação; e como assim é, foi necessário que se pregasse a respeito do Senhor a partir da Palavra e, por esse meio, fosse instaurada a Igreja Cristã. Isso, porém, não poderia ser feito senão pelos pioneiros, que o fizeram por zelo. Não houve outros senão os que, pelo ardor do amor de si, estavam numa inflamação semelhante ao zelo. Esse ardor os excitou primeiro a pregar o Senhor e a ensinar a Palavra. Desse estado primevo deles é que Lúcifer foi referido como 'filho da aurora' (vers. 12). Mas, à medida em que viram que podiam dominar por meio das coisas santas da Palavra e da igreja, o amor de si, pelo qual tinham sido inicialmente excitados a pregar o Senhor, brotou dos interiores e exaltou-se finalmente a essa altura em que transferiram para si todo o poder Divino do Senhor, sem deixar coisa alguma.
[4] Isso não pôde ser impedido pela Divina Providência do Senhor, pois, se fosse impedido, eles teriam proclamado que o Senhor não é Deus e que a Palavra não é santa, e tornar-se-iam socinianos ou arianos. Assim, teriam destruído toda a igreja. E ela, quaisquer que sejam seus líderes, permanece, todavia, no povo que está em sujeição, pois são salvos todos os dessa religião que se aproximam do Senhor e fogem dos males como pecados. Por causa disso é que existem muitas sociedades celestes formadas por eles no mundo espiritual. E foi provido também que entre eles houvesse um povo que não se submeteu ao jugo de tal dominação e que tem a Palavra como santa. Esse nobre povo é o povo francês. Mas, o que aconteceu?
[5] Quando o amor de si levou o domínio até o trono do Senhor e, removendo-O dali, impôs-se a si mesmo, esse amor, que é 'Lúcifer', não pôde fazer outra coisa senão profanar todas as coisas da Palavra e da igreja. Para que isso não acontecesse, o Senhor, por Sua Divina Providência, consentiu que eles se afastassem do culto Divino, invocassem homens mortos, orassem às suas esculturas, beijassem seus ossos, prostrassem diante de seus sepulcros, proibissem a leitura da Palavra, pusessem a santidade do culto em missas não compreendidas pelo povo simples e vendessem a salvação em troca de ouro. Porque, se não tivessem feito isso, teriam profanado as coisas santas da Palavra e da igreja, pois, como se mostrou num parágrafo precedente, ninguém profana as coisas santas senão aqueles que as conhecem.
[6] Para que não profanassem a santíssima Ceia foi que, pela Divina Providência do Senhor, eles a dividiram, dando o pão ao povo enquanto eles mesmos bebiam o vinho, pois o vinho na Santa Ceia significa o vero santo, e o pão significa o bem santo e, quando são divididos, o vinho significa o vero profanado e o pão significa o bem adulterado. E, principalmente, foi provido que a tornassem corpórea e material, e que tomassem isso como a coisa primária da religião. Quem volta sua atenção a cada uma dessas coisas e as examina com alguma iluminação da mente pode ver as maravilhas da Divina Providência para proteger as coisas santas da igreja e para salvar todos os que podem ser salvos, e para tirar do incêndio, por assim dizer, os que querem ser tirados.

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