. (i.) A Divina Providência é universal nas coisas mais singulares, não somente nos bons, mas também nos maus, sem, todavia, estar em seus males. Mostrou-se acima que a Divina Providência está nas coisas mais singulares dos pensamentos e das afeições do homem, pelo que se entende que o homem não pode pensar nem querer coisa alguma por si mesmo, mas tudo o que pensa e quer, e, assim, fala e faz, é pelo influxo; se é o bem, pelo influxo do céu, e se é o mal, pelo influxo do inferno; ou, o que é a mesma coisa, o bem é pelo influxo do Senhor e o mal pelo influxo do proprium do homem. Sei, porém, que essas coisas dificilmente podem ser compreendidas, porque se distingue entre o que influi do céu ou desde o Senhor, e o que influi do inferno ou desde o proprium do homem, e, no entanto, se diz que a Divina Providência está nas coisas mais singulares dos pensamentos e das afeições do homem, a ponto de o homem nada poder pensar e querer por si mesmo; mas, uma vez que se diz que ele também o pode pelo inferno, portanto, desde o seu proprium, parece haver daí uma contradição. Que, entretanto, não haja contradição, ver-se-á na seqüência, após terem sido apresentados alguns preliminares que ilustram esse assunto.
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