DIVPROV &286

Sabedoria Angélica sobre a DIVINA PROVIDÊNCIA
Emanuel Swedenborg
Doutrina da Nova Jerusalém sobre a Divina Providência

. Ora, visto que é uma lei da Divina Providência que o homem possa agir pelo livre segundo a razão, isto é, por essas duas faculdades, liberdade e racionalidade, e também é uma lei da Divina Providência que aquilo que o homem faz lhe pareça como vindo dele mesmo, e também é uma lei que os males devem ser permitidos para que o homem possa ser tirado deles, segue-se que o homem pode abusar dessas faculdades e, pelo livre segundo a razão, confirmar o que quer que lhe agrade. Pode, com efeito, fazer com que seja razoável tudo quanto quiser, seja ou não seja razoável em si. Por isso é que alguns dizem: "O que é o vero? Não posso tornar um vero tudo quanto quero? Não é assim também que o mundo faz?" E quem pode, faz isso por meio de raciocínios. Toma o que for de mais falso e diz a um engenhoso: "Confirma-o", e ele o confirmará. Diz-lhe que confirme, por exemplo, que o homem é uma besta, ou diz-lhe que a alma é como uma aranha em sua teia, que rege o corpo como a aranha faz, por meio de fios; ou diz-lhe que a religião não é coisa alguma senão um vínculo, e ele confirmará qualquer dessas coisas até que apareça como vero. O que há de mais fácil? Pois não sabe o que é aparência nem o que é o falso tomado como vero pela fé cega.
[2] Daí vem que o homem não pode ver esse vero, que a Divina Providência está nas coisas mais singulares do entendimento e da vontade, ou, o que é o mesmo, nas coisas mais singulares dos pensamentos e das afeições em cada homem, tanto o mau quanto o bom. Ele se confunde principalmente pelo fato de que, assim, os males viriam também do Senhor. Que, todavia, nenhum mal seja proveniente do Senhor, mas do homem, pelo fato de se ter confirmado na aparência de que pensa, quer, fala e age por si, é o que se verá agora nas proposições seguintes que, para que sejam vistas claramente, devem ser demonstradas nesta ordem:
(i.) A Divina Providência é universal nas coisas mais singulares, não somente nos bons, mas também nos maus, sem, todavia, estar em seus males.
(ii.) Os maus continuamente se lançam nos males, mas o Senhor continuamente os tira dos males.
(iii.) Os maus não podem ser inteiramente tirados dos males pelo Senhor e conduzidos ao bem enquanto acreditarem que a própria inteligência é tudo e que a Divina Providência nada é.
(iv.) O Senhor governa os infernos pelos opostos, e os maus que estão no mundo Ele governa no inferno quanto aos interiores, mas não quanto aos exteriores.

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