. Mostrou-se também muitas vezes que tampouco no inferno ninguém pensa por si mesmo, mas pelos outros à sua volta, e nem esses outros por si mesmos, mas ainda por outros, e que os pensamentos vão em ordem de sociedade a sociedade, e ninguém sabe outra coisa senão que têm origem ali. Alguns, que acreditavam pensar e querer por si, foram enviados a uma sociedade, tendo sido interceptada a comunicação com as sociedades vizinhas, para as quais os pensamentos deles costumavam se estender, e nessa sociedade foram mantidos. Foi-lhes dito, então, que pensassem diferentemente do que pensavam os espíritos daquela sociedade e que se esforçassem para pensar o contrário deles, mas confessaram que isso lhes era impossível.
[2] Isto se fez com muitos e também com Leibnitz, que também se convenceu de que ninguém pensa por si, mas por outros, e nem esse outros por si, mas todos pelo influxo do céu e o céu pelo influxo do Senhor. Alguns, tendo meditado sobre esse assunto, disseram que isso era impressionante, e que mal haveria alguém que pudesse ser levado a crer nisso, porquanto é inteiramente contra a aparência, mas que, não obstante, não poderiam negá-lo, porque foi plenamente demonstrado. Todavia, como se achassem admirados, disseram que, assim, não teriam culpa de pensarem o mal; que, assim, parecia que o mal procede do Senhor; e que também não compreendiam de que maneira o Senhor, só, pode fazer com que todos pensem de tão diversos modos. Mas esses três pontos serão desenvolvidos na seqüência.
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