. Às experiências aduzidas, deve ser acrescentada esta: quando me foi concedido pelo Senhor falar com espíritos e anjos, este arcano me foi logo desvendado, pois me foi dito do céu que eu, como os outros, acreditava pensar e querer por mim mesmo, quando, todavia, nada vem de mim; se é o bem, vem do Senhor, e se é o mal, do inferno. Que seja assim, também me foi demonstrado ao vivo por meio de vários pensamentos e afeições induzidos e isso gradativamente me foi dado perceber e sentir. Por isso, depois, tão logo algum mal se insinuava na vontade ou algum falso no pensamento, eu perguntava de onde vinha, e isso me era revelado. Além disso, era-me concedido também falar com eles, reprová-los e forçá-los a se afastarem e, assim, retirarem seu mal e falso e o conservarem consigo, e não mais insinuarem tais coisas em meu pensamento. Isto aconteceu milhares de vezes e nesse estado tenho permanecido por muitos anos e permaneço ainda. E, no entanto, a mim parece-me pensar e querer por mim mesmo, como os outros, sem diferença alguma. Com efeito, é da Providência do Senhor que assim pareça a cada um, como acima se mostrou em seu artigo. Os espíritos noviços ficam admirados desse meu estado, não vendo outra coisa senão que não penso nem quero coisa alguma por mim mesmo e, por conseguinte, que sou como algo vazio. Mas eu lhes abri esse arcano e, ainda, disse-lhes que também penso interiormente e percebo aquilo que influi em meu pensamento exterior, se vem do céu ou se vem do inferno, e que isto eu rejeito e aquilo eu recebo; e que, assim como eles, sempre a mim parece-me pensar e querer por mim.
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