. Agora, voltando à proposição, que o Senhor governa o inferno pelos opostos, e que os maus que estão no mundo Ele os governa no inferno quanto aos interiores e não quanto aos exteriores. No que diz respeito à primeira parte, que o Senhor governa o inferno pelos opostos, mostrou-se acima (n° 288 e 289) que os anjos do céu não estão no amor e na sabedoria, ou na afeição do bem e, daí, no pensamento do vero por si mesmos, mas pelo Senhor; e mostrou-se também que do céu influi todo bem e vero no inferno e, ali, o bem é mudado em mal e o vero em falso, em razão de os interiores de suas mentes serem virados ao contrário. Ora, como todos os infernos são opostos a todos os céus, segue-se que o Senhor governa o inferno pelos opostos.
[2] Segundo: Que o Senhor governe no inferno os maus que estão no mundo é porque o homem, quanto ao seu espírito, está no mundo espiritual e, ali, em alguma sociedade; numa sociedade infernal se é mau, e numa sociedade celeste se é bom. Porque a mente do homem, que em si é espiritual, não pode estar em outra parte senão entre espirituais, entre os quais também vem, após a morte. Que isto seja assim, também foi dito e mostrado acima. Mas o homem não está ali do mesmo modo que o espírito que foi inscrito na sociedade, pois o homem está continuamente num estado de reforma. Por isso, segundo a sua vida e suas mudanças, é transferido pelo Senhor de uma sociedade infernal a outra, se é mau. Mas, se é tal que se deixa reformar, é tirado do inferno e conduzido ao céu, e, também ali, é transferido de uma sociedade a outra, e isto até a morte, depois da qual não pode mais ser levado de sociedade a sociedade, porque então não se acha mais em estado de reforma, mas se mantém naquele que é segundo a sua vida. Por isso, quando o homem morre, está inscrito em seu lugar.
[3] Terceiro: Que, assim, o Senhor governe os maus no mundo quanto aos interiores, mas não quanto aos exteriores. Os interiores da mente do homem o Senhor governa tal como agora se disse, mas os exteriores Ele governa no mundo dos espíritos, que está no meio, entre o céu e o inferno. A razão é porque o homem, na maioria, é nos internos diferente do que é nos externos, pois pode nos externos simular um anjo de luz e, todavia, ser um espírito das trevas nos internos. Por isso seu externo é governado de um modo e seu interno de outro; seu externo é governando no mundo dos espíritos, mas o seu interno é governado no céu ou no inferno, enquanto está no mundo. Por isso, também, quando morre, vem primeiro ao mundo dos espíritos e ali está no seu externo, e este ele ali despe, e quando o despiu, é levado ao seu lugar, onde foi inscrito. O que é o mundo dos espíritos e qual ele é, vê-se na obra O Céu e o Inferno, publicada em Londres em 1758 (n° 421-535).
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XI - A Divina Providência não apropria o mal nem o bem a pessoa alguma, mas a própria prudência apropria um e outro