DIVPROV &308

Sabedoria Angélica sobre a DIVINA PROVIDÊNCIA
Emanuel Swedenborg
Doutrina da Nova Jerusalém sobre a Divina Providência

. Quase todo mundo crê que o homem pensa e quer por si, e, portanto, fala e age por si. Quem pode crer de maneira diferente, quando o faz por si? Porquanto a aparência de que é assim é tão forte que em nada difere de ele realmente pensar, querer, falar e agir por si, o que, todavia, não é possível. Na Sabedoria Angélica Sobre o Divino Amor e a Divina Sabedoria foi demonstrado que há uma única Vida, e que os homens são recipientes da vida. Em seguida, que a vontade do homem é o receptáculo do amor, e o entendimento do homem é o receptáculo da sabedoria, sendo esses dois essa única Vida. Foi demonstrado também que é pela criação e, daí, pela contínua Divina Providência, que essa vida parece estar, no homem, numa semelhança tal como se fosse sua, por conseguinte, sua própria, mas que isso é uma aparência, a fim de que o homem possa ser o receptáculo. Demonstrou-se também, acima (n° 288-294), que nenhum homem pensa por si, mas pelos outros, e tampouco esses outros por si, mas todos pensam pelo Senhor, tanto o mau quanto o bom. Depois, que isso é notório no mundo cristão, principalmente entre aqueles que não somente dizem, mas também crêem que todo bem e vero procede do Senhor, portanto, toda sabedoria, assim, a fé e a caridade; e, também, que todo mal e falso procede do diabo ou do inferno.
[2] De tudo isso não se pode tirar outra conclusão senão que tudo o que o homem pensa e quer influi nele. E como toda linguagem flui do pensamento, como o efeito de sua causa, e toda ação flui semelhantemente da vontade, por isso, também, tudo o que o homem fala e faz é pelo influxo nele, ainda que derivada e mediatamente. Não se pode negar que influi tudo que o homem vê, ouve, cheira, saboreia e sente. Por que não, então, aquilo que o homem pensa e quer? Pode haver outra diferença senão que nos órgãos dos sentidos externos ou do corpo influem as coisas que estão no mundo natural, e nas substâncias orgânicas dos sentidos internos ou da mente influem as coisas que estão no mundo espiritual? Por conseguinte, assim como os órgãos dos sentidos externos ou do corpo são receptáculos dos objetos naturais, assim as substâncias orgânicas dos sentidos internos ou da mente são receptáculos dos objetos espirituais. Visto que tal é o estado do homem, o que é então o seu proprium? Seu proprium não consiste em ser esse ou aquele receptáculo, porque esse proprium não é outra coisa senão a sua qualidade quanto à recepção, mas não é o proprium da vida, pois pelo proprium ninguém entende outra coisa senão o que vive por si e, assim, que pensa e quer por si. Mas que esse proprium não esteja no homem, e que mesmo não possa existir em ninguém, segue-se como conseqüência do que foi dito acima.

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