DIVPROV &311

Sabedoria Angélica sobre a DIVINA PROVIDÊNCIA
Emanuel Swedenborg
Doutrina da Nova Jerusalém sobre a Divina Providência

. Pela descrição da prudência própria e daqueles que nela estão pode-se ver qual é a prudência não própria e quais são os que nela estão, a saber, a prudência não própria está naqueles que não confirmam em si que a inteligência e a sabedoria provêm do homem, dizendo: "De que modo pode alguém saber por si, e de que modo pode fazer bem por si?" E, quando dizem isso, vêem em si mesmos que é assim, pois pensam interiormente e também crêem que os outros pensam de modo semelhante, principalmente os eruditos, pois não sabem que alguém possa pensar só exteriormente.
[2] Não estão nas falácias por quaisquer confirmações de aparências, por isso sabem e percebem que os homicídios, os adultérios, os furtos e os falsos testemunhos são pecados, pelo que fogem disso. Sabem também que a malícia não é sabedoria e a astúcia não é inteligência. Quando ouvem raciocínios pelas falácias, ficam admirados e riem. A razão disso é que neles não há o véu entre o interior e o exterior, ou entre a mente natural e a espiritual, tal como existe nos sensuais. Por isso recebem do céu o influxo pelo qual vêem interiormente tais coisas.
[3] Falam com mais simplicidade e sinceridade que os outros e põem a sabedoria na vida e não nas palavras. São, relativamente, como cordeiros e ovelhas, enquanto os que estão na prudência própria são como lobos e raposas. E são como os que habitam numa casa e vêem o céu pelas janelas, enquanto aqueles que estão na prudência própria são como os que habitam no porão da casa e, pelas janelas, não vêem senão as coisas que estão sob a terra. E são como os que se põem num monte e vêem aqueles que estão na prudência própria como que errando nos vales e nas selvas.
[4] Por aí se pode saber que a prudência não própria é a prudência proveniente do Senhor, na aparência externa semelhante à prudência própria, mas inteiramente dessemelhante nos internos. A prudência não própria, nos internos, aparece no mundo espiritual como um homem, mas a prudência própria como um simulacro que parece ter vida somente pelo fato de que os que nela estão têm, ainda assim, racionalidade e liberdade, ou faculdade de entender e de querer e, por conseguinte, de falar e de agir, e por essas faculdades podem fingir que também são homens. Que seja um simulacro é porque os males e falsos não vivem, mas somente os bens e veros. E como sabem isso por sua racionalidade - pois, se não o soubessem, não simulariam - possuem o vital humano em seus simulacros.
[5] Quem não pode saber que o homem é tal qual é interiormente? Conseqüentemente, que o homem é interiormente tal qual quer ser visto exteriormente? E que o simulacro é aquele que é homem só exteriormente e não interiormente? Pensa como falas, a favor de Deus, da religião, da justiça e da sinceridade, e serás um homem. E então a Divina Providência será tua prudência, e verás nos outros que a prudência própria é insanidade.

Versão Impressa

Para estudo mais confortável, adquira esta obra em formato impresso.