. (iii.) Tudo o que é persuadido e confirmado permanece como o proprium no homem. Muitos crêem que nenhum vero pode ser visto pelo homem, a não ser por coisas confirmadas, mas isso é falso. Naquelas que são as coisas civis e econômicas do reino e da república, não se pode ver o útil e bom, a não ser que se conheçam muitos estatutos e regulamentos ali; nas coisas da justiça, a não ser que se conheçam as leis; nas coisas naturais, como as físicas, químicas, anatômicas, mecânicas e outras, a não ser que o homem seja instruído nas ciências. Mas nas coisas puramente racionais, morais e espirituais, os veros aparecem por sua própria luz, contanto que o homem, por uma educação correta, tenha-se tornado algum tanto racional, moral e espiritual. A razão é que cada homem, quanto ao seu espírito - que é o que pensa - está no mundo espiritual e é um entre os que se acham ali. Por conseguinte, está na luz espiritual, que ilumina os interiores de seu entendimento e dita, por assim dizer. Pois a luz espiritual, em sua essência, é o Divino Vero da Divina Sabedoria do Senhor. Daí é que o homem pode pensar analiticamente, concluir sobre o que é justo e reto nos julgamentos, o honesto na vida moral e o bem na vida espiritual, e também ver muitos veros que não caem em trevas a não ser pelos falsos confirmados. O homem os vê, comparativamente, quase da mesma maneira que vê o ânimo de outrem por sua face e percebe suas afeições pelo som somente de sua linguagem, sem outra ciência senão a que é ínsita em cada um. Por que o homem, pelo influxo, não veria de algum modo os interiores de sua vida, que são espirituais e morais, quando não há animal algum que não saiba, pelo influxo, as coisas que lhe são necessárias, as quais são naturais? A ave sabe fazer ninhos, pôr ovos, tirar os filhotes, e conhece seu alimento, além de muitas outras maravilhas que se chamam instinto.
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