DIVPROV &322

Sabedoria Angélica sobre a DIVINA PROVIDÊNCIA
Emanuel Swedenborg
Doutrina da Nova Jerusalém sobre a Divina Providência

. A razão sã dita que todos foram predestinados para o céu e ninguém para o inferno, porque todos nasceram homens e, por isso, a imagem de Deus está neles. A imagem de Deus neles é que faz com que possam entender o vero e fazer o bem. Poder entender o vero vem da Divina Sabedoria, e poder fazer o bem vem do Divino Amor. Esse poder é a imagem de Deus, que permanece num homem são e não é erradicada dele. Daí é que ele pode se tornar homem civil e moral, e quem é civil e moral pode também se tornar espiritual, pois o civil e moral é o receptáculo do espiritual. Chama-se homem civil aquele que conhece as leis de seu reino, no qual é cidadão e vive segundo essas leis; e chama-se homem moral aquele que faz dessas leis seus costumes e suas virtudes, e pela razão vive de acordo com elas.
[2] Direi agora como a vida civil e moral é um receptáculo da vida espiritual. Vive segundo essas leis não somente como leis civis e morais, mas também como leis Divinas, e serás um homem espiritual. Dificilmente existe um povo tão bárbaro que não lhe tenha sido prescrito por leis que não se deve matar, não cometer escortação com a esposa de outro, não roubar, não testemunhar falsamente, não fazer violência ao que é do outro. Essas leis o homem civil e moral cumpre a fim de ser ou parecer bom cidadão. Contudo, se ele não considera essas leis ao mesmo tempo Divinas, é somente homem civil e moral natural, mas se as considera também Divinas, é homem civil e moral espiritual. A diferença é que este é bom cidadão não somente do reino terrestre, mas também bom cidadão do reino celeste, enquanto aquele é bom cidadão do reino terrestre, mas não do reino celeste. Os bens que eles fazem os distinguem. Os bens que os civis e morais naturais fazem não são bens em si, porque o homem e o mundo estão neles. Mas os bens que os civis e morais espirituais fazem são bens em si, porque neles estão o Senhor e o céu.
[3] Por aí se pode ver que cada homem, por ter nascido para poder se tornar civil e moral natural, também nasceu para poder se tornar civil e moral espiritual. É somente reconhecer a Deus e não fazer os males por serem contra Deus, mas fazer os bens porque vêm de Deus. Desse modo o espírito entra nas coisas civis e morais do homem e elas vivem; e sem isso não há espírito algum nelas e, portanto, não vivem. Por isso o homem natural, por mais civil e moralmente que haja, é chamado morto, e o homem espiritual, vivo.
[4] É pela Divina Providência que cada nação tenha alguma religião, e a primeira coisa de toda religião é reconhecer que há um Deus, pois de outro modo não poderia ser chamada religião. E toda nação que vive sua religião, isto é, que não faz o mal porque é contra seu Deus, recebe algum espiritual em seu natural. Quem é que, quando ouve algum gentio dizendo que não quer fazer esse ou aquele mal porque é contra seu Deus, não diz consigo mesmo: "Este não será salvo? Parece-me que não pode ser de outra maneira". Isto lhe dita a razão sã. E, por outro lado, quem é que, quando ouve um cristão dizer: "Esse ou aquele mal, considero como nada. Quem importa que se diga que é contra Deus?", não diz consigo mesmo: "Este será salvo? Parece-me que não é possível". Isto, também, a razão sã lhe dita.
[5] Se alguém diz: "Nasci cristão, sou batizado, tenho conhecido o Senhor, tenho lido a Palavra, tenho tomado o sacramento da Ceia". Porventura essas práticas são alguma coisa quando ele não considera como pecados os homicídios ou as vinganças que os aspiram, os adultérios, os roubos clandestinos, os falsos testemunhos ou mentiras e várias violências? Será que tal homem pensa em Deus ou em alguma vida eterna? Pensa que existe Deus e uma vida eterna? Será que a razão sã não dita que tal homem não pode ser salvo? Essas coisas foram ditas sobre o cristão, porque o gentio, mais do que o cristão, pensa em Deus pela religião de sua vida. Mas, sobre este assunto, muitas coisas se dirão na seqüência, nesta ordem:
(i.) O propósito da criação é um céu proveniente do gênero humano.
(ii.) Assim, é da Divina Providência que cada homem possa ser salvo, e são salvos aqueles que reconhecem Deus e vivem no bem.
(iii.) É culpa do homem mesmo, se não é salvo.
(iv.) Assim, todos foram predestinados para o céu e ninguém para o inferno.

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