. (iii.) É culpa do homem mesmo, se não é salvo. Um vero que é reconhecido por todo homem racional assim que é ouvido é que do bem não pode provir o mal, nem do mal o bem, pois são opostos. Conseqüentemente, do bem nada provém senão o bem, e do mal, nada senão o mal. Quando esse vero é reconhecido, também se reconhece que o bem pode ser convertido em mal, não por um bom, mas por um mau recipiente, pois toda forma muda em sua própria qualidade o que nela influi (vê-se acima, n° 292). Ora, visto que o Senhor é o Bem em sua essência mesma, ou o Bem mesmo, é evidente que do Senhor não pode provir o mal, nem pode este ser por Ele produzido, mas o bem muda-se em mal pelo sujeito recipiente cuja forma é a do mal. Essa forma é o homem quanto ao seu proprium. Este recebe do Senhor continuamente o bem e continuamente o muda na qualidade de sua forma, que é a forma do mal. Segue-se daí que é culpa do homem se não é salvo. De fato, o mal vem do inferno, mas como ele o recebe como seu e assim se apropria do mal, por isso dá no mesmo dizer que o mal vem do homem ou dizer que o mal vem do inferno. Mas, de onde vem a apropriação do mal, até o ponto de a religião perecer, é o que se dirá nesta série: Primeiro: No decorrer do tempo, toda religião decresce e se acaba. Segundo: Toda religião decresce e se acaba pela inversão da imagem de Deus no homem. Terceiro: Isso existe pelo aumento contínuo do mal hereditário pelas gerações. Quarto: Mas o Senhor provê que cada um possa ser salvo. Quinto: Também é provido que uma nova igreja surja em lugar da anterior que foi devastada.
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