DIVPROV &329

Sabedoria Angélica sobre a DIVINA PROVIDÊNCIA
Emanuel Swedenborg
Doutrina da Nova Jerusalém sobre a Divina Providência

. (iv.) Assim, todos foram predestinados para o céu e ninguém para o inferno. Que o Senhor a ninguém lance no inferno, mas que o espírito a si mesmo se lance, mostrou-se na obra O Céu e o Inferno (publicada em Londres no ano de 1758, n° 545-550). Assim acontece com todo mau e ímpio após a morte. Acontece semelhantemente com o mau e ímpio no mundo, com a diferença de que no mundo ele pode ser reformado, abraçar os meios de salvação e se imbuir deles, mas não após ter saído do mundo. Os meios de salvação se referem a estes dois: deve-se fugir dos males porque são contra as leis Divinas no Decálogo e reconhecer que há um Deus. Isto cada um pode fazer, contanto que não ame os males, porque o Senhor influi continuamente e com poder na vontade para que se possa fugir dos males, e com poder no entendimento para que se possa pensar que há um Deus. Não obstante, ninguém pode fazer uma coisa se não fizer ao mesmo tempo a outra; estas duas são conjuntas como as duas tábuas do Decálogo são conjuntas, uma das quais é para Deus e a outra é para ao homem. O Senhor, por Sua tábua, ilumina a cada um e lhe dá o poder. Mas, quanto mais o homem pratica as coisas que estão em sua tábua, mais recebe poder e iluminação. Antes disso, essas duas [tábuas] parecem como se fossem uma posta sobre a outra e fechadas com um selo, mas, assim que o homem pratica as coisas que estão em sua tábua, elas são expostas e abertas.
[2] O que é hoje o Decálogo senão um livrinho ou um catecismo [codicillus] fechado, somente aberto nas mãos das crianças e dos meninos? Diz a alguém de idade avançada: "Não faz isso porque é contra o Decálogo", quem presta atenção? Mas se dizes: "Não faz isso porque é contra as leis Divinas", a isso pode dar atenção, quando, todavia, os preceitos do Decálogo são as mesmas leis Divinas. Fez-se uma experiência com muitos no mundo espiritual, que rejeitaram com desprezo quando se lhes falava em Decálogo ou catecismo. A razão é porque o Decálogo, na segunda tábua, que é a tábua do homem, ensina que se deve fugir dos males, e quem não foge deles (seja por impiedade, seja por causa da religião que têm como nada as obras mas somente a fé) ouve com algum desprezo quando se nomeia Decálogo ou catecismo, tal como se ouvisse nomear algum livro da infância, que não lhes têm mais utilidade alguma.
[3] Estas coisas foram ditas para que se saiba que a nenhum homem falta o conhecimento dos meios pelos quais pode ser salvo, tampouco o poder, se quiser ser salvo. Do que se segue que todos foram predestinados para o céu e ninguém para o inferno. Mas, como em alguns tem prevalecido a fé na predestinação para a não salvação, que é a danação, e essa fé é danosa e não pode ser dissipada a não ser que a razão também veja nela a insanidade e a crueldade, por isso deve-se tratar dela na seguinte série: Primeiro: Outra predestinação que não seja para o céu é contra o Divino Amor e sua infinidade. Segundo: Outra predestinação que não seja para o céu é contra a Divina Sabedoria e sua infinidade. Terceiro: É uma heresia insana a crença de que são salvos somente os que nasceram dentro da igreja. Quarto: É uma heresia cruel a crença de que alguns do gênero humano estão condenados por predestinação.

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