DWIS &11

Da Divina Sabedoria
Emanuel Swedenborg
Tratado sobre a Natureza e Manifestacao da Divina Sabedoria

. [128.] XI. Que o amor ao Senhor oriundo do Senhor exista na caridade, e que a sabedoria exista na fé.
[a.] Os que pensam apenas naturalmente e não ao mesmo tempo espiritualmente a respeito do amor ao Senhor e da caridade para com o próximo não pensam outra coisa – porque não podem pensar diferentemente – que o Senhor deve ser amado quanto à pessoa, e o próximo também quanto à pessoa. Mas os que pensam tanto naturalmente quanto espiritualmente percebem e, pela percepção, pensam que tanto o mau quanto o bom podem amar o Senhor quanto à pessoa e semelhantemente o próximo, e que, se o mau ama, não pode ser amado de volta, mas que se o bom ama, ele o pode. Daí o homem espiritual natural conclui que amar o Senhor é amar aquilo que procede d’Ele, o que em si é o Divino, no qual o Senhor está; que isto é fazer bem ao próximo e que, assim, o Senhor não pode ser amado de modo diferente e se conjuntar a ele pelo amor. Mas o homem natural não pode pensar nas coisas espirituais a respeito deste assunto, a menos que elas sejam expostas distintamente diante dele. A distinção, pois, estará nestes artigos:
DO AMOR E DA CARIDADE
1. Que o amor dos usos seja a caridade.
2. Que o Senhor seja a origem (a quo), e o próximo a destinação (ad quem).
3. Que o amor ao Senhor exista na caridade, porque está no uso.
4. Que o uso seja o desempenho reto, fiel, sincero e justo de seu ofício, e fazer a sua obra.
5. Que haja usos comuns, que também são usos da caridade.
6. Que os usos não se tornem usos da caridade em nenhum outro senão aquele que luta contra os males, que são provenientes do inferno.
7. Visto que esses são contra o amor ao Senhor e contra a caridade para com o próximo.
8. Que os usos que têm o próprio bem por fim primeiro e último não sejam usos da caridade.
Da Sabedoria e da Fé
1. Que a fé não seja outra coisa senão a verdade.
2. Que a verdade se torne verdade quando é percebida e amada, e se chame fé quando é conhecida e meditada.
3. Que os veros da fé considerem, de uma parte, o Senhor, e de outra parte, o próximo.
4. Em suma, de que maneira se deve aproximar do Senhor para que haja conjunção; e, em seguida, de que maneira o Senhor faz usos pelo homem.
5. Os veros espirituais, morais e civis ensinam as duas coisas.
6. A fé é conhecer os veros e pensar neles; a caridade é querê-los e fazê-los.
7. Por isso, quando o Divino Amor do Senhor existe no homem na caridade, que é querê-las e fazê-las, a Divina Sabedoria do Senhor existe no homem na fé, que é conhecer os veros e pensar neles.
8. Que a conjunção da caridade e da fé seja recíproca.
[129.] [Seção XI. b1]
[b.] Do Amor e da Caridade
1. Que o amor dos usos seja a caridade. Em todas e cada uma das coisas há esses três: fim, causa e efeito. O fim é a origem1 [a quo], a causa é o meio [per quo] e o efeito é onde há a manifestação [in quo]. E quando o fim, pela causa, está no efeito, então têm existência. Em todo amor e em sua afeição há um fim; o fim intenta ou quer fazer o que ama, e o feito é o seu efeito. O Senhor é o fim ‘a quo’, o homem é a causa ‘per quem’, e o uso é efeito ‘in quo’ o fim tem existência. O Senhor é fim ‘a quo’ porque por Seu Divino Amor perpetuamente intenta ou quer praticar usos, isto é, os bens ao gênero humano. O homem é a causa ‘per quem’, porque no amor dos usos está ou pode estar, e nesse amor intenta ou quer praticar usos; e os usos são o efeito nos quais o fim tem existência. Os usos são também chamados bens. Daí é evidente que o amor dos usos é a caridade, que o homem deve ter para com o próximo.
[130.] Que em todas e cada uma das coisas haja o fim, a causa e o efeito é o que pode ser examinado a partir de qualquer assunto. Por exemplo, quando o homem faz alguma coisa, ele diz a si mesmo ou a outro, ou alguém lhe diz: ‘Por que fazes isto?’ – ou seja, qual é o fim; ‘Como fazes isto? – ou seja, por que causa; e ‘O que fazes?’ – ou seja, qual é o efeito. O fim, a causa e o efeito são também chamados de causa final, causa média e causado, e pelas leis das causas é que o fim está em tudo na causa e, daí, em tudo no efeito, pois o fim é a essência mesma deles. Semelhantemente se dá com o Senhor, porque ele é o fim, tudo no amor dos usos ou na caridade no homem e, daí, tudo nos usos do homem, isto é, nos usos praticados por meio do homem. Daí vem que na igreja se crê que todo bem vem de Deus e não do homem, e que Deus é o Bem mesmo.
[131.] [Seção XI. b2]
2. Que o Senhor seja a origem (a quo), e o próximo a destinação (ad quem). Que o Senhor seja a origem da qual vem e tem existência o amor dos usos ou a caridade é evidente pelo que foi dito acima. Que o próximo seja a destinação é porque é para com o próximo que se deve ter caridade a quem a caridade deve ser prestada. Uma vez que se diz que o próximo é a destinação, dir-se-á também o que é e quem é o próximo. O próximo, num sentido amplo, é o comum ou público; num sentido menos amplo é a igreja, a pátria, a sociedade maior e menor; e, num sentido restrito, é o concidadão, o companheiro e o irmão. Prestar usos a estes e àqueles pelo amor é praticar a caridade para com o próximo, pois isto é amá-los. Que sejam amados é porque o amor dos usos e o amor ao próximo não podem ser separados. Pelo amor dos usos, ou pela caridade, o homem pode mesmo beneficiar um inimigo e um mau, mas a estes ele presta usos de penitência ou então de reconciliação, que são vários usos e feitos de diversos modos (vide Mateus 5:25, 43, 44; Lucas 6: 27, 28, 35).
[3] [131.] [Seção XI. b3]
3. Que o amor ao Senhor exista na caridade, porque está no uso. Isto o Senhor mesmo ensina, como em João:
“Quem tem os Meus preceitos e os pratica, esse é o que Me ama. ... Se alguém Me ama, guarda a Minha palavra. ... Quem não Me ama, não guarda as Minhas palavras” (Jo. 14:21, 23, 24).
No mesmo:
“Se guardardes os Meus mandamentos, permanecereis no Meu amor” (Jo. 15:10).
E no mesmo:
Jesus disse três vezes a Pedro: “Amas-Me?” E Pedro respondeu três vezes que O amava. Jesus disse três vezes: “Apascenta Meus cordeiros, e Minhas ovelhas” (Jo. 21:15-17).
‘Apascentar cordeiros e ovelhas’ são os usos ou bens da caridade com aqueles que pregam o evangelho e amam o Senhor. Daí é evidente que o amor ao Senhor tem existência na caridade, porque a tem nos usos. Depois, também, que a conjunção do amor ao Senhor com a caridade para com o próximo, assim, a conjunção do Senhor com o homem, está no uso, e que há tal e tanta conjunção qual e quanto é o amor dos usos, porque o Senhor está no uso como no bem que vem d’Ele, e o homem que está no amor do uso está no uso como por si, mas reconhece que não está por si, mas pelo Senhor. Com efeito, o homem não pode por si mesmo amar o Senhor, nem pode por si mesmo amar os usos, mas o Senhor o ama e faz o Seu amor nele ser recíproco, e também faz com que pareça ao homem que ele ama o Senhor por si mesmo. É isto, pois, o amor ao Senhor oriundo do Senhor. Daí também é evidente de que modo o amor no Senhor tem existência na caridade ou no amor do uso.
[4] [133.] [Seção XI. b4]
4. Que o uso seja o desempenho reto, fiel, sincero e justo de seu ofício, e fazer a sua obra. Não se sabe, a não ser obscuramente e apenas por alguns, o que na Palavra se entende propriamente pelos bens da caridade, que também se chamam ‘obras’, como também pelos ‘frutos’, aqui chamados usos. Pelo sentido da letra da Palavra acredita-se que é dar aos pobres, prestar auxílio aos necessitados, beneficiar as viúvas e os órfãos, e coisas semelhantes. Mas não são esses usos que se entendem aí pelos ‘frutos’, pelas ‘obras’ e pelos bens da caridade, mas entende-se o desempenho reto, fiel, sincero e justo de seu ofício, negócio e obras. Quando faz isto, considera o comum ou público, assim também a pátria, a sociedade maior e menor, e o concidadão, o companheiro e o irmão, que são o próximo no sentido amplo e restrito, como foi dito acima, pois então cada um, seja sacerdote, seja encarregado ou oficial, seja negociante ou operário, presta usos cotidianamente – o sacerdote, a pregação; o encarregado e o oficial, a administração; o mercador, a negociação; e o operário, as obras. Seja, por exemplo, um juiz que julga reta, fiel, sincera e justamente: ele faz bem ao próximo todas as vezes que julga; um ministro, semelhantemente, toda as vezes que ensina; assim também os restantes.
[134.] Que esses usos se entendam pelos bens da caridade e pelas ‘obras’ é evidente pelo governo do Senhor nos céus. Ali, como no mundo, todos estão em alguma função e serviço, ou em algum ofício ou em alguma obra. E cada um tem magnificência, opulência e felicidade segundo sua fidelidade, sinceridade e justiça ali. O preguiçoso e indolente não é admitido no céu, mas lançado ou no inferno ou no deserto, onde vive em completa carência e miséria. Tais coisas são chamadas no céu bens da caridade, obras e usos. Além disso, todo fiel, sincero e justo em sua obrigação e obra no mundo é também fiel, sincero e justo após a saída do mundo, e é aceito no céu pelos anjos, e, também segundo a qualidade da fidelidade, sinceridade e justiça, cada um tem o regozijo celeste. A razão disso é que a mente, quando aplicada à sua obrigação ou obra pelo amor do uso, é mantida coesa e, então, no prazer espiritual, que é o prazer da fidelidade, da sinceridade e da justiça, e afastado do prazer da fraude e da malícia, e também do prazer da confabulação e da comilança, que também é o prazer do ócio e o ócio é o travesseiro do diabo. Qualquer um pode ver que o Senhor não pode ter morada no prazer destes, mas o pode no prazer daqueles.
[5] [135.] [Seção XI. b5]
5. Que haja usos comuns, que também são usos da caridade. Os usos próprios e genuínos da caridade são os usos da função e da administração de cada um, como foi dito acima, que então se tornam bens da caridade, nos quais têm existência o amor ao Senhor, ou com os quais esse amor é conjunto, quando o homem os pratica pela fidelidade e sinceridade espiritual, que há naqueles que amam os usos porque são usos e creem que todo bem vem do Senhor. Mas, além desses usos, há também outros, comuns: amar fielmente o cônjuge, criar retamente os filhos, dispor prudentemente da casa, agir justamente com os serviçais ali. Essas obras se tornam bens da caridade quando são feitas pelo amor do uso, e, para com o cônjuge, quando são feitas pelo amor mútuo e casto. Esses usos, que são da caridade, são os usos domésticos. Há, também, outros usos comuns, como fazer contribuições úteis e devidas ao serviço da igreja, os quais se tornam bens da caridade na proporção que a igreja é amada como o próximo num grau superior. Entre os usos comuns está também custear despesas e obras para edificar e conservar orfanatos, abrigos para estrangeiros, ginásios e outros semelhantes, despesas que, em parte, são facultativas [adiaphori]. Prestar auxílio aos necessitados, às viúvas, aos órfãos somente porque são necessitados, viúvas e órfãos, dar aos indigentes somente porque são indigentes, são usos da caridade externa, caridade essa que se chama piedade. Mas não são usos da caridade senão quanto derivam do uso mesmo e de seu amor, pois a caridade externa sem a interna não é caridade. A interna ao mesmo tempo a faz, porque a caridade externa oriunda da interna age prudentemente, mas a caridade externa sem a interna age imprudentemente e, muitas vezes, injustamente.
[6] [136.] [Seção XI. b6]
6. Que os usos não se tornem usos da caridade em nenhum outro senão aquele que luta contra os males, que são provenientes do inferno. Porque os usos que o homem presta enquanto está no inferno, isto é, enquanto o amor que faz a sua vida estiver ali e for dali, não são usos da caridade, pois nada têm em comum com o céu e neles o Senhor não está. O amor da vida do homem está ali e vem dali enquanto ele não lutar contra os males que estão e vêm dali. Esses males se acham descritos no Decálogo e serão vistos em sua explicação. Esses usos, que se fazem sob a forma de caridade ou sob a forma de piedade, foram descritos na Palavra. Os que foram descritos sob a forma de caridade, descritos assim, em Mateus:
“Muitos Me dirão naquele dia: Senhor, Senhor! Não profetizamos em Teu nome? E por Teu nome expulsamos demônios, e em Teu nome fizemos muitos atos de poder? Mas então lhes confessarei: Não vos conheço; apartai-vos de Mim, obreiros de iniquidade” (Mt. 7:22, 23).
E os que foram descritos sob a forma de piedade, em Lucas:
“Então começareis a dizer: Comemos diante de Ti, e bebemos, em nossas ruas ensinaste. Mas dirá: Digo-vos, não sei donde sois; apartai-vos de Mim, obreiros de iniquidade” (Lc. 13:26, 27),
e também se entendem pelas cinco virgens insensatas que não tinham óleo nas lâmpadas, às quais, quando vieram, o Noivo disse:
“Não vos conheço” (Mt. 25:1-12).
Porque enquanto os males infernais e diabólicos não forem removidos pela luta, o homem pode prestar usos, nos quais, todavia, nada há de caridade e de piedade, porquanto foram interiormente conspurcados.
[7] [137.] [Seção XI. b7]
7. Visto que esses são contra o amor ao Senhor e contra a caridade para com o próximo. Com efeito, todos os usos que em sua essência são usos de caridade vêm do Senhor, e são feitos por Ele por meio dos homens; e, então, no uso o Senhor se conjunge ao homem, ou o amor ao Senhor com a caridade para com o próximo. Que ninguém possa prestar uso algum senão pelo Senhor, Ele ensina em João:
“Quem permanece em Mim, e eu nele, esse dá muito fruto, porque sem Mim não podeis fazer coisa alguma” (Jo. 15:5);
o ‘fruto’ é o uso. Que os usos prestados por um homem que não lutou ou não luta contra os males, que são do inferno, sejam contra o amor ao Senhor e contra a caridade para com o próximo é porque os males que jazem interiormente nesses usos são contra o Senhor, assim, contra o amor a Ele e, daí, contra o amor do uso, que é a caridade. Porque o inferno e o céu não podem estar juntos, pois são opostos, ou um contra o outro. Por esse motivo, aqueles que prestam tais usos não amam o próximo, isto é, o comum e público, a igreja, a pátria, a sociedade, o concidadão, o companheiro e o irmão, os quais, num sentido amplo e restrito, são o próximo. Que seja assim é o que ficou bastante evidente para mim por muitas experiências. Assim são os usos dentro do homem que os presta, mas, fora do homem, são, no entanto, usos, também excitados pelo Senhor no homem por causa do bem comum e particular, mas não feitos desde o Senhor. Por isso esses usos não são recompensados no céu, mas recompensados, e devem ser recompensados, no mundo.
[8] [138.] [Seção XI. b8]
8. Que os usos que têm o próprio bem por fim primeiro e último não sejam usos da caridade. Que o fim seja tudo do efeito, ou tudo do uso, e que o Senhor seja esse fim, e que seja do fim que o uso é uso da caridade, foi confirmado acima neste artigo. Quando, pois, o homem é o fim, isto é, seu próprio bem, então ele é tudo do efeito ou tudo do uso. Daí seu uso se torna não uso em essência, mas em aparência, no qual a vida vem do corpo e nenhuma do espírito.
[9] [139.] [Seção XI. c1]
[c.] Da Sabedoria e da Fé.
1. Que a fé não seja outra coisa senão a verdade. O mundo cristão, depois que a caridade cessou, começou a ignorar que a caridade e a fé são um, por conseguinte, que a fé não existe onde não houver caridade, nem a caridade onde não houver fé. Dessa ignorância nasceu a cegueira pela qual desconheceram o que é a caridade e o que é a fé. Começou-se então a separá-las, não só no pensamento, mas também na doutrina, e por isso, a dividir a Igreja Cristã, que em si é uma só, em muitas, e distingui-las segundo os dogmas da fé separada. Quando a caridade e a fé no homem são separadas, então se desconhece o que é caridade e o que é fé, pois a caridade deve fazer com que haja a fé, e a fé a ensinará; e, também, a caridade deve esclarecer, e a fé deve ver. Por isso, se a caridade e a fé forem separadas, não há nem uma nem outra no homem. É como quando tiras a candeia e tiras também a luz, e faz-se escuridão. Esta é a razão por que pela fé [hoje] se entende aquilo que o homem crê e não vê, pelo que se diz que isto ou aquilo deve ser crido, porém, dificilmente há alguém que diga ‘não vejo’, mas ‘creio’. Assim, ninguém sabe se é um vero ou um falso. Por conseguinte, um cego guia outro cego, e ambos cairão na cova. Que a fé não seja outra coisa senão a verdade é algo até reconhecido quando se diz que o vero pertence à fé e que a fé pertence ao vero. Mas, se se perguntar que isto ou aquilo é uma verdade, responder-se-á: ‘É da fé’; sem mais indagar. Crer assim é aceitar como verdade da fé, com os olhos fechados e o entendimento tampado, tudo aquilo em que alguém nasceu. Tal cegueira nunca foi chamada de fé pelos antigos, mas aquilo que por alguma luz no pensamento puderam reconhecer que é um vero. Daí é que, na língua hebraica, verdade e fé são uma só palavra. Essa palavra é ‘amém’ e ‘amuna’.
[10] [140.] [Seção XI. c2]
2. Que a verdade se torne verdade quando é percebida e amada, e se chame fé quando é conhecida e meditada. Defensores da fé separada querem que sejam cridos, dizendo que as coisas espirituais não podem ser compreendidas pelo entendimento, porque o transcendem, mas, no entanto, não negam a iluminação. A iluminação que eles não negam se entende aqui pela percepção, assim, pelo fato de que a verdade se torna verdade quando é percebida e amada. No entanto, o amor do vero dá que a verdade percebida se torne verdade, pois dá a vida. Que a iluminação seja a percepção é porque toda verdade está na luz, e o entendimento do homem pode ser elevado nessa luz. Que toda verdade esteja na luz é porque a luz procedente do Senhor como Sol é a verdade mesma; daí é que todo vero no céu brilha, e a Palavra que é o Divino Vero dá a luz geral aos anjos ali; por isso também o Senhor é chamado ‘Palavra’ e, também, ‘Luz’ (Jo. 1:1, 2, 3).
[141.] Que o entendimento humano possa ser elevado nessa luz é o foi dado saber por muitas experiências; também, que o entendimento daqueles que não estão no amor do vero esteja somente na cobiça de saber, ou na afeição da glória por ela, com a diferença de que aqueles que estão no amor do vero, estão em realidade na luz do céu e, por isso, estão na iluminação e na percepção do vero quando leem a Palavra, enquanto os demais não estão na iluminação e na percepção do vero, mas somente na confirmação de seus princípios, que eles não sabem se são veros ou se são falsos, com a diferença também de que aqueles que estão no amor do vero, quando leem a Palavra e pensam por ela, mantêm a visão de seu entendimento constantemente no princípio mesmo e, assim, examinam se algo é um vero antes de ser confirmado. Os demais, porém, pelo conhecimento da memória assumem o princípio, não querendo saber se é um vero e o confirmam, se desejam a fama de erudição, pela Palavra e pela razão. E o gênio de erudição, que é o orgulho, é tal que pode confirmar todo falso até que apareça a si e aos outros como se fosse vero. Disso vem as heresias, os dissídios e as defesas de dogmas dissidentes na igreja. Daí também a diferença faz com que aqueles que estão no amor do vero se tornem sábios e espirituais, enquanto os restantes permanecem naturais e insensatos nas coisas espirituais. Que a verdade seja chama fé quando é conhecida e meditada é porque a verdade percebida se torna em seguida coisa da memória, que é crida. Daí também é evidente que a fé não é outra coisa senão a verdade.
[11] [142.] [Seção XI. c3]
3. Que os veros da fé considerem, de uma parte, o Senhor, e de outra parte, o próximo. Todos os veros consideram estas três coisas como objetos ou universais: acima de si, o Senhor e o céu; junto a si, o mundo e o próximo; e abaixo de si, o diabo e o inferno; e as verdades devem ensinar ao homem de que modo ele pode se separar do diabo e do inferno e ser conjunto ao Senhor e ao céu, e isto pela vida no mundo em que está, e pela vida com o próximo com quem está. Por esta e aquela maneira se faz toda separação e conjunção. Para que o homem se separe do diabo e do inferno e se conjunte ao Senhor e ao céu ele deve conhecer os males e, por eles, os falsos, porque estes são o diabo e o inferno, e deve conhecer os bens e, por eles, os veros, porque estes são o Senhor e o céu. Que os males e falsos sejam o diabo e o inferno é porque eles vêm daí; e que os bens e veros sejam o Senhor e o céu é porque eles vêm daí. A menos que conheça estes e aqueles, o homem não vê caminho algum de sair do inferno nem o caminho de entrar no céu. Os veros os devem ensinar, e os veros que ensinam foram dados ao homem na Palavra e pela Palavra; e como o caminho para ambos os lugares parte do mundo, e no mundo o homem tem a vida e aí está com o próximo, por isso essa vida é o caminho que os veros ensinam. Se, pois, a vida do homem for segundo os veros da Palavra, é fechado o caminho para o inferno e do inferno, e é aberto o caminho ao Senhor e do Senhor, e a vida do homem se torna a vida do Senhor nele. Isto é o que se entende pelas palavras do Senhor em João:
“Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo. 14:6).
Ao contrário, porém, se a vida do homem é contra os veros da Palavra, então se fecha o caminho do céu e para o céu, e se abre o caminho para o inferno e do inferno, e a vida do homem não se torna vida, mas morte. Que a vida do Senhor no homem seja a vida da caridade para com o próximo, e que a conjunção esteja no amor dos usos, foi dito acima a respeito da caridade. E como os veros ensinam esse caminho, é evidente que eles de uma parte consideram o Senhor, e da outra o próximo.
[12] [143.] [Seção XI. c4]
4. Que os veros ensinem de que maneira se deve aproximar do Senhor; em seguida, de que maneira o Senhor presta usos pelo homem. De que maneira se deve aproximar do Senhor foi dito há pouco, e se dirá amplamente na explicação do Decálogo. Mas agora se dirá de que maneira o Senhor presta em seguida usos no homem. Sabe-se que o homem não pode por si mesmo fazer bem algum que seja em si um bem, mas pelo Senhor; por conseguinte, não pode prestar uso algum que em si seja um uso, pois o uso é o bem, do que se segue que o Senhor presta todo uso que é o bem por meio do homem. Que o Senhor queira que o homem faça o bem como por si mesmo, também os veros da Palavra ensinam; e como os veros o ensinam, é evidente que os veros pertencem ao conhecimento e ao pensamento, e que os bens pertencem à vontade e aos feitos, e que, assim, os veros se tornam bem pelo querer e o fazer. Aquilo, pois, que o homem quer e faz, a isso ele chama bem, e aquilo que o homem sabe e pensa, a isto chama vero; e o que está no feito, assim, no bem, é o querer, o pensar e o saber. Por conseguinte, o conjunto desses no último é o bem. Isto tem em si a forma externa pelos veros no pensamento, e a forma interna pelo amor da vontade. Mas, de que maneira o Senhor presta os usos, que são os bens, no homem, também foi dito e mostrado na explicação das leis de sua Divina Providência.
[13] [144.] [Seção XI. c5]
5. Que os veros espirituais, morais e civis ensinem as duas coisas. Primeiramente se dirá o que são os veros espirituais, os veros morais e os veros civis; em segundo lugar, que o homem espiritual também é homem moral e civil; em terceiro, que o espiritual está no moral e no civil; em quarto, que, se forem separados, não há conjunção com o Senhor.
(1.) O que são os veros espirituais, os veros morais e os veros civis. Os veros espirituais são as coisas que a Palavra ensina sobre Deus, que é o único Criador do universo; que é infinito, eterno, onipotente, onisciente, onipresente, providente; que o Senhor quanto ao Humano é o Seu filho; que Deus Criador e Ele são um; que Ele é o Redentor, Reformador, Regenerador e Salvador; que é o Senhor do céu e da terra; que é o Divino Amor e a Divina Sabedoria; que é o Bem mesmo e o Vero mesmo; que é a Vida mesma; que tudo do amor, da caridade e do bem, assim como tudo da sabedoria, da fé e do vero venha d’Ele e nada do homem; e, daí, que o homem não tenha mérito por algum amor, caridade e bem, nem por alguma sabedoria, fé e vero; que, por isso, só Ele deve ser adorado. Assim por diante, que a Palavra Divina é santa, que há uma vida após a morte, que há um céu e um inferno, o céu para aqueles que vivem no bem, e o inferno para [os que vivem no mal]; e muitas outras coisas que são da doutrina da Palavra, como o Batismo e a Santa Ceia. Estas e outras semelhantes são propriamente os veros espirituais. Os veros morais, porém, são os que a Palavra ensina sobre a vida do homem com o próximo, a qual se chama caridade, cujos bens, que são os usos, se referem em resumo à justiça e à equidade, à sinceridade e à retidão; à castidade, à temperança, à verdade, à prudência e à benevolência. Também pertencem aos veros morais os opostos, que destroem a caridade e, em suma, se referem à injustiça e à inequidade, à insinceridade e à fraude, à lascívia, à intemperança, à mentira, à astúcia, à inimizade, ao ódio e à vingança, e à malevolência. Que tais coisas sejam também veros morais da vida é porque todas as coisas que o homem pensa são assim, seja o mau ou o bem, são contadas entre os veros, pois diz ser um vero que isto é um mal e aquilo um bem. Estes são os veros morais. Mas os veros civis são as leis civis dos reinos e das cidadanias, que em suma se referem às muitas justiças que devem ser praticadas e às várias violências que têm existência no ato.
[14] [145.] [Seção XI. c5 (2)]
(2.) Que o homem espiritual seja também homem moral e civil. Muitos creem que são espirituais aqueles que conhecem os veros espirituais numerados acima, e mais os que os pronunciam, e ainda mais os que os percebem por algum entendimento. Isto, todavia, não é espiritual; é somente conhecer e, pelo conhecimento, pensar e falar, e, por algum dom do entendimento que cada homem tem, perceber, mas estas coisas somente não fazem o homem espiritual; falta a elas o amor oriundo do Senhor, e o amor oriundo do Senhor é o amor dos usos, que se chama caridade. Nesta o Senhor se conjunge ao homem e o torna espiritual, pois então o homem desempenha o uso pelo Senhor e não por si mesmo. Isto o Senhor ensina em muitas passagens na Palavra e, assim, em João:
“Permanecei em Mim, também eu em vós. Assim como o ramo não pode dar fruto por si, se não permanecer na videira, tampouco vós, se não permanecerdes em Mim. Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em Mim, e Eu nele, esse dá muito fruto; porque sem Mim nada podeis fazer” (Jo. 15:4, 5);
os ‘frutos’ são os usos ou os bens da caridade, e os bens da caridade não são outra coisa senão os bens morais. Daí é evidente que o homem espiritual é também homem moral. Que o homem moral seja também homem civil é porque as leis civis são os seus usos no ato, os quais se chamam exercícios, obras e feitos. Seja, por exemplo, o sétimo preceito do Decálogo, ‘não roubarás’. O espiritual nesse preceito é não tirar coisa alguma do Senhor e atribuir a si, e dizer que é seu; depois, também, não tirar pelos falsos alguém de seus veros da fé. O moral aí é não agir insincera, injusta e fraudulentamente com o próximo e tomar suas riquezas. O civil, porém, é não furtar. Quem não pode ver que o homem que é conduzido pelo Senhor e, por esse modo, é homem espiritual, também é homem moral e civil?
[147.] Seja também por exemplo, o quinto preceito: ‘Não matarás’. O espiritual aí é: ‘Não negarás a Deus, assim, o Senhor’, pois negá-Lo é matá-Lo e crucificá-Lo em si mesmo; também, ‘não destruirás a vida espiritual do homem, pois assim matarás a sua alma’. O moral é: ‘Não terás ódio ao próximo não desejarás te vingar dele’, pois, o ódio e a vingança têm em si o assassinato. E o civil é: ‘Não matarás o seu corpo’. Por aí também se vê que o homem espiritual, que é aquele que é conduzido pelo Senhor, é também homem moral e civil, diferentemente do que se conduz a si mesmo, do qual se tratará a seguir.
[15] [148.] [Seção XI. c5 (3)]
(3.) Que o espiritual esteja no moral e no civil. Isto se segue do que foi dito acima, que o Senhor se conjunge ao homem em seu amor, ou na caridade para com o próximo. O espiritual vem da conjunção com o Senhor, o moral vem da caridade, e o civil vem de seu exercício. Deve haver o espiritual no homem para que ele seja salvo, e isto vem do Senhor, não acima ou fora do homem, mas dentro dele. Isto não pode estar no conhecimento do homem somente e, daí, no pensamento e na linguagem. Deve estar em sua vida, e a sua vida é o querer e o fazer. Por isso, como o saber e pensar é também querer e fazer, então o espiritual está no moral e no civil. Se alguém disser: “Como posso querer e fazer”, responde-lhe: “Luta contra os males que vêm do inferno e quererás e farás, não por ti, mas pelo Senhor, pois, removidos os males o Senhor faz todas as coisas”.
[16] [149.] [Seção XI. c5 (4)]
(4.) Que, se forem separados, não há conjunção com o Senhor. Isto se pode ver pela razão e pela experiência. Pela razão: Se o homem tem tal memória e tal entendimento de modo a poder conhecer e perceber todos os veros do céu e da igreja, e não quiser praticar quaisquer deles, acaso se diz dele que é um homem inteligente, mas mau? E mesmo, também, que deve antes ser punido? Segue-se daí que aquele que separa o espiritual do moral e do civil não é homem espiritual, nem moral, nem civil. Pela experiência: Há tais pessoas no mundo, e com os tais falei após a morte, e ouvi que tinham sabido todas as coisas da Palavra e, daí, muitos veros, e tinham crido que por isso brilhariam no céu como estrelas. Mas, quando a vida deles foi examinada, descobriu-se que era meramente corpórea e mundana, e, por causa dos males e das depravações que tinham pensado e querido em si mesmos, infernal. Por isso lhes foram tomadas todas as coisas que tinham conhecido da Palavra e eles se tornaram suas próprias vontades, e foram lançados no inferno, aos seus semelhantes, onde falaram loucamente segundo os seus pensamentos no mundo, e praticaram coisas vergonhosas, segundo os seus amores ali.
[17] [150.] [Seção XI. c6]
6. Que a fé seja conhecer os veros e pensar neles, e a caridade seja querê-los e fazê-los. Foi confirmado acima que a verdade é chamada fé quando o homem a conhece e pensa nela; que, porém, a verdade se torne caridade quando o homem a quer e pratica, será confirmado agora. A verdade é como a semente, que, considerada fora da terra, é apenas uma semente, mas, quando na terra, torna-se planta ou árvore e veste-se de sua forma e, assim, outro nome. Também a verdade é como uma vestimenta, que, fora do homem, é somente um pano acomodado ao corpo, mas, quando vestida, torna-se a roupa em que o homem está. Dá-se de modo semelhante em relação à verdade e à caridade. A verdade, quando conhecida e pensada, é somente verdade e se chama fé; quando, porém, o homem a quer e pratica, ela se torna caridade, absolutamente como a semente se torna planta ou árvore, ou como o pano se torna a roupa em que está o homem.
[151.] O conhecimento e o pensamento daí são, também, duas faculdades distintas da vontade e do fato daí, e também podem ser separadas, pois o homem pode saber e pensar muitas coisas que não quer nem faz. Separadas, elas não fazem a vida do homem, mas conjuntas a fazem. Dá-se de modo semelhante em relação à verdade e à caridade. Essas coisas serão ainda mais ilustradas por meio de comparações. A luz e o calor no mundo são duas coisas distintas, que podem ser separadas e conjuntas. São, de fato, separadas na estação do inverno, e conjuntas na estação do verão, mas separadas não fazem a vida vegetal, isto é, não produzem coisa alguma, mas, conjuntas, fazem e produzem. Ainda, o pulmão e o coração no homem são duas coisas distintas, cujos movimentos podem ser separados e conjuntos; separados, nos desmaios e sufocações, mas, separados, não fazem a vida do corpo do homem, enquanto conjuntos a fazem. Dá-se de modo semelhante em relação ao conhecimento e ao pensamento daí, no homem, dos quais vem a fé, e à vontade e ao feito daí, dos quais vem a caridade. O pulmão também corresponde ao pensamento e, daí, à fé, do mesmo modo que a luz; e o coração corresponde à vontade e, daí, à caridade, do mesmo modo que o calor. Por aí se pode ver que na fé separada da caridade não há mais vida do que no saber e pensar separados do querer e fazer. A vida que há aí vem somente do fato de que ele quer pensar e faz o que fala, assim, é crer.
[18] [152.] [Seção XI. c7]
7. Por isso, quando o Divino Amor do Senhor existe no homem na caridade, que é querer e fazer os veros, a Divina Sabedoria do Senhor existe no homem na fé, que é conhecer os veros e pensar neles. Foi dito acima o que é o Divino Amor do Senhor e o que é a Sua Divina Sabedoria. Também foi dito a respeito da caridade e fé, e da conjunção do Senhor no amor dos usos, que é a caridade no homem. Agora se dirá também a respeito da conjunção do Senhor com a fé nele. O Senhor Se conjunge ao homem na caridade e por esta na fé, mas não na fé e por esta na caridade. A razão é porque a conjunção do Senhor com o homem é no amor de sua vontade, que faz a sua vida, assim, na caridade, que faz a sua vida espiritual. Por ela o Senhor vivifica os veros do pensamento que se chamam veros da fé, e os conjunta à vida. Os primeiros veros no homem, chamados fé, ainda não são vivos, pois pertencem somente à memória e, daí, ao pensamento e à linguagem, adjuntos ao seu amor natural, que os absorve pela cupidez de conhecê-los e pela cupidez da glória pelo conhecimento ou pela erudição os estimula, ou pensa, ou pronuncia. Mas esses veros são vivificados assim que o homem é regenerado, o que se faz por uma vida segundo eles, vida essa que é a caridade. Então a mente espiritual do homem é aberta, na qual se faz a conjunção do Senhor com o homem, e daí são vivificados os veros da infância, da meninice e os primeiros veros do amadurecimento do homem. Então se dá a conjunção do Divino Amor e da [Divina] sabedoria com a caridade no homem, e da Divina Sabedoria e do Divino amor na fé nele, e faz que, assim como o Divino Amor e a Divina Sabedoria são um só no Senhor, também caridade e a fé sejam um só no homem. A respeito disso, porém, mais coisas serão ditas na explicação do Decálogo.
[19] [153.] [Seção XI. c8]
8. [Que a conjunção da caridade e da fé seja recíproca.] Foi explicado acima, onde se tratou da conjunção recíproca do amor e da sabedoria, que a conjunção da caridade e da fé é recíproca, e isto foi ilustrado pela correspondência com a conjunção recíproca do coração e do pulmão.

Do Amor e da Caridade:

1. Que o amor dos usos seja a caridade.

2. Que o Senhor seja a origem [a quo], e o proximo a destinacao [ad quem].

3. Que o amor ao Senhor exista na caridade, porque esta no uso.

4. Que o uso seja o desempenho reto, fiel, sincero e justo de seu oficio, e fazer a sua obra.

5. Que haja usos comuns, que tambem sao usos da caridade.

6. Que os usos nao se tornem usos da caridade em nenhum outro senao aquele que luta contra os males, que sao provenientes do inferno.

7. Visto que esses vao contra o amor ao Senhor e contra a caridade para com o proximo.

8. Que os usos que tem o proprio bem por fim primeiro e ultimo nao sejam usos da caridade.

Da Sabedoria e da Fe:

1. Que a fe nao seja outra coisa senao a verdade.

2. Que a verdade se torne verdade quando e percebida e amada, e se chame fe quando e conhecida e meditada.

3. Que os veros da fe considerem, de uma parte, o Senhor, e de outra parte, o proximo.

4. Em suma, de que maneira se deve aproximar do Senhor para que haja conjuncao; e, em seguida, de que maneira o Senhor faz usos pelo homem.

5. Os veros espirituais, morais e civis ensinam as duas coisas.

6. A fe e conhecer os veros pensar neles; a caridade e quere-los e faze-los.

7. Por isso, quando o Divino Amor do Senhor existe no homem na caridade, que e querer e fazer os veros, a Divina Sabedoria do Senhor existe no homem na fe, que e conhecer os veros e pensar neles.

8. Que a conjuncao da caridade e da fe seja reciproca.

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