DWIS &10

Da Divina Sabedoria
Emanuel Swedenborg
Tratado sobre a Natureza e Manifestacao da Divina Sabedoria

. [115.] X. (Que a conjunção do amor e da sabedoria seja recíproca.)
Que seja recíproca a conjunção do amor e da sabedoria, ou, o que é o mesmo, da vontade e do entendimento, assim, da afeição e do pensamento, igualmente do bem e vero, é um arcano ainda não revelado. Que haja uma conjunção a razão pode descobrir, mas não tanto que a conjunção seja recíproca. Que a razão possa descobrir que há uma conjunção é evidente pela conjunção da afeição e do pensamento, pois ninguém pode pensar sem a afeição. E, quem quiser investigar, perceberá que a afeição é a vida do pensamento, pois qual é a afeição, tal é o pensamento, pelo que, se uma aquece, o outro se aquece, e se uma esfria, o outro esfria. Daí é que, quando o homem se alegra, pensa alegremente, e quando se entristece, pensa tristemente, do mesmo modo quando pensa com cólera, e assim por diante. Entra pelo pensamento superior no teu inferior e reflete, e verás. É semelhante a conjunção do amor e da sabedoria, porque toda afeição pertence ao amor, e todo pensamento pertence à sabedoria; e também é semelhante à da vontade e do entendimento, pois o amor pertence à vontade e a sabedoria ao entendimento; e semelhante a do bem e do vero, porque o bem pertence ao amor e o vero pertence à sabedoria, como foi confirmado no artigo precedente. Sobre essa conjunção vide as coisas que foram citadas na Doutrina da Nova Jerusalém (n. 11-27).
[116.] [Seção X. (2)]
Que a conjunção seja recíproca é o que também se pode concluir pela afeição e pelo pensamento, pelo fato de que a afeição produz o pensamento e o pensamento reproduz a afeição. Mas pode-se concluir principalmente pela conjunção recíproca do coração e dos pulmões, porque, como foi mostrado (art. vi., vii.), há uma correspondência plena entre o coração e a vontade, e entre o pulmão e o entendimento, no homem. Por isso, pela conjunção do coração e do pulmão, podemos ser instruídos a respeito da conjunção da vontade e do entendimento, por conseguinte, a respeito da conjunção do amor e da sabedoria. Pelo paralelismo estabelecido entre esses dois pode-se ver:
1. Que a vida da vontade se conjunte à vida do entendimento.
2. Que a conjunção seja recíproca, e a qualidade dela.
3. Que a vida do entendimento purifique a vida da vontade, e também a aperfeiçoe e eleve.
4. Que a vida da vontade coopere com a vida do entendimento em todo movimento e, vice-versa, a vida do entendimento com a vida da vontade em todo sentido.
5. Do mesmo modo que no som e sua linguagem.
6. Do mesmo modo nos bons e nos maus, com a diferença de que nos maus a vida da vontade não é purificada nem aperfeiçoada e elevada, mas conspurcada, depravada e embrutecida.
7. Que o amor, que é a vida da vontade, faça toda a vida do homem.
[117.] [Seção X. (3)]
Cumpre saber primeiro, porém, que pela vida da vontade se entende o amor e a afeição, e pela vida do entendimento se entende a sabedoria, a inteligência e o conhecimento [scientia]. Cumpre também saber, então, que o coração mesmo com todos os seus vasos em todo o corpo corresponde à vontade; que o seu sangue corresponde ao amor e às suas afeições, que é a vida da vontade; que o pulmão, juntamente com a traqueia, a laringe, a glote e, por fim, a língua, corresponde ao entendimento; e que a respiração, que se dá pelo influxo do ar por meio da laringe e da traqueia nos brônquios dos pulmões, corresponde à vida do entendimento. Estas coisas devem ser conhecidas para que a verdade aberta pelas correspondências seja corretamente compreendia. Agora, pois, ao paralelismo.
[118.] [SEÇÃO X. 1]
1. Que a vida da vontade se conjunte à vida do entendimento. Pelos paralelismos se vê que a vida da vontade, que é o amor, influi no entendimento e faz a sua vida íntima, e o entendimento espontaneamente a recebe; e que a vontade, pelo influxo do seu amor, produz no entendimento primeiramente afeições que são da própria vontade ou do amor, em seguida, percepções, e em seguida, pensamentos com as ideias, em cooperação. Que isto seja assim pode-se ver pela conjunção do coração com o pulmão. Por sua aurícula direita (via ventrículo) o coração envia todo o seu sangue ao pulmão e faz os seus vasos sanguíneos, dos quais o pulmão, de branco, aparece sanguíneo. O coração envia o seu sangue pela cobertura ou túnica mais externa que se chama pericárdio, túnica essa que reveste os vasos até os íntimos do pulmão. Assim, o coração faz a vida do pulmão e lhe dá o poder para que possa respirar; a respiração se faz pelo influxo de ar nos brônquios e pelos movimentos recíprocos destes, ou exalação.
[2] [119.] [SEÇÃO X. 2]
2. Que a conjunção seja recíproca, e a qualidade dela. Por paralelismo pode-se ver que o entendimento retorna a vida do amor recebida da vontade, não, porém, pelo mesmo caminho pelo qual a recebe, mas por outro, ao lado, e que a vontade daí opera a vida em todo o corpo. Mas essa conjunção recíproca pode ser compreendida mais plenamente pela conjunção recíproca do coração e do pulmão, porque são semelhantes. O coração, por sua aurícula direita (via ventrículo), envia o sangue ao pulmão, como foi dito acima, e o pulmão retorna o sangue recebido ao coração pela aurícula esquerda, assim, por outro caminho. E o coração, por seu ventrículo esquerdo, o envia com muita força a toda parte, pela aorta, ao corpo, e pelas carótidas, ao cérebro; por essas artérias e suas ramificações o coração opera a vida ativa em todo o corpo, pois o coração tem força ativa nas artérias. O sangue arterial em seguida influi nas veias em toda parte, pelas quais ele reflui ao ventrículo direito do coração, e por este novamente no pulmão, como antes, reciprocamente. Essa circulação do sangue é contínua em todo homem, porque o sangue corresponde à vida do amor, e a respiração à vida do entendimento. Pelo que foi dito é evidente que há uma conjunção recíproca do amor e da sabedoria, e que o amor é a única vida mesma do homem.
[3] [120.] [Seção X. 3]
3. (Que a vida do entendimento purifique a vida da vontade). Que a vida do entendimento purifique a vida da vontade é evidente não só pela correspondência com o coração e o pulmão, mas, também, pelo fato de que o homem nasce nos males pelos pais, e que daí ame mais as coisas corpóreas e mundanas do que as celestes e espirituais; consequentemente, que a sua vida, que é o amor, seja depravada e impura por natureza. Qualquer um pode, pela razão, ver que essa vida não pode ser purificada senão pelo entendimento, e que é purificada pelos veros espirituais, morais e civis, que fazem o entendimento. Por isso também é dado ao homem poder perceber e, com afirmação, pensar nas coisas tais que são contra o amor de sua vontade; e não somente ver que são assim, mas, também, se olhar para Deus, poder resistir a elas e, assim, remover as coisas depravadas e horrendas de sua vontade, o que é ser purificado. Isto também pode ser ilustrado pela purificação do sangue no pulmão. Que o sangue enviado do coração seja aí purificado é fato conhecido pelos anatomistas, porque o sangue influi do coração no pulmão em maior abundância do que do pulmão reflui no coração; e, também, que ele influi desordenado e impuro, mas reflui disciplinado e puro. Também, que no pulmão há o tecido celular em que o sangue do coração separa seus componentes inúteis e os lança nas cavidades e ramificações bronquiais; que o muco na boca e nas narinas venha em parte daí, como também o vaporoso do fôlego, pelo que é evidente que o sangue cheio vicioso (fæculentus) é purificado no pulmão. Por estas explicações podem ser ilustradas as coisas que há pouco foram ditas acima, porquanto o sangue do coração corresponde ao amor da vontade, que é a vida do homem, e a respiração do pulmão corresponde à percepção e ao pensamento do entendimento, pela qual se faz a purificação.
[121.] [Seção X. 3 (2)]
Que a vida do entendimento também aperfeiçoe e eleve a vida da vontade é porque o amor da vontade, que faz a vida do homem, é expurgado dos males por intermédio do entendimento; de corpóreo e mundano o homem se torna espiritual e celeste, e então os veros e bens do céu e da igreja se tornam da afeição e nutrem a sua alma. Desse modo a sua vontade se torna nova e, por ela, a vida do entendimento; assim, ambas são aperfeiçoadas e elevadas. Isto se faz no entendimento e por meio dele, mas pela vontade, pois a vontade é o homem mesmo. Isto também é confirmado pela correspondência do pulmão e do coração. O pulmão, que corresponde ao entendimento, não somente expurga o sangue vicioso, como foi dito anteriormente, mas também o nutre pelo ar, pois o ar é cheio de elementos voláteis e odoríficos, homogêneos com as matérias do sangue. E, também, nos lóbulos dos brônquios [ou bronquíolos], há cadeias inumeráveis de [vasos] sanguíneos que, segundo o seu caráter, absorvem as coisas que fluem; daí o sangue se torna ativo (vegetus) e saudável, e se torna arterial, tal como é quando escorre do pulmão à cavidade direita do coração. Que a atmosfera nutra o sangue pulmonar com novos alimentos é evidente por muitas experiências, pois há inalações que lesam os pulmões e as que o reanimam, portanto, as que são danosas e as que são salutares. Há pessoas (adipsi) que viveram duramente muito tempo sem o alimento terrestre, assim, somente com o atmosférico. Há espécies de animais, como os ursos, as víboras, os camaleões e outros, que prolongam a vida sem qualquer alimento. Disto é evidente que o sangue pulmonar também se nutre da atmosfera. Assim também a vida do entendimento aperfeiçoa e eleva a vida da vontade, segundo a correspondência.
[4] [122.] [Seção X. 4]
4. Que a vida da vontade coopere com a vida do entendimento em todo movimento e, vice-versa, a vida do entendimento com a vida da vontade em todo sentido. Que a vontade e o entendimento cooperem em todas e cada uma das coisas do corpo, assim como o coração e o pulmão, mostrou-se acima, mas ainda não se mostrou que a vontade atua primeiro ao produzir os movimentos, e o entendimento atua primeiro ao apresentar os sentidos. Que a vontade atue primeiro nos movimentos é o que segue de seu ofício, que é atuar, pois do querer vem o fazer e o agir. E que o entendimento atue primeiro nos sentidos é o que também se segue de seu ofício, que é perceber e, daí, sentir. Não obstante, nem o movimento nem o sentido podem existir sem a cooperação de ambos. Isto também é aparente pela cooperação do coração e do pulmão. Que o coração atue primeiro e o pulmão depois é evidente pelos músculos, pelo fato de aí as artérias atuarem e as membranas dos ligamentos reagirem. As artérias são restringidas por fibras atuadas desde o cérebro e distendidas por meio de membranas dos ligamentos revestidos; as artérias procedem do coração, e os ligamentos, como são continuados do diafragma ou peritônio ou outra parte, estão no movimento alternado dos pulmões. Daí é evidente que, nos movimentos o sangue do coração atua primeiro, e a respiração do pulmão depois. Quando a respiração do pulmão atua depois nos músculos pelos ditos ligamentos que estão em seu movimento, esses movimentos fazem o invólucro também no geral dos músculos, e também as membranas das fibras motrizes, e daí entram até às mínimas. Assim, daí são as reações, gerais e singulares, e as singulares podem se multiplicar diversamente sob as comuns, segundo a lei da natureza em todas as coisas. Dá-se de modo semelhante em relação à vontade e ao entendimento. Que, porém, o pulmão atue primeiro nos sentidos, e o coração atue depois, é evidente pela explicação dos órgãos dos sentidos, que confirma isto. Como, porém, as suas estruturas são intricadas e variadas, isto não pode ser descrito à compreensão. É bastante que se saiba que todos os órgãos dos sentidos correspondem às coisas tais que são do entendimento, pois o órgão da visão corresponde à inteligência, o órgão da audição à obediência pela auscultação, o órgão do olfato à percepção, a língua à sabedoria e o tato à percepção em geral.
[5] [123.] [Seção X. 5]
5. Do mesmo modo que no som e sua linguagem. Foi dito anteriormente que as formações do amor da vontade no entendimento são primeiramente as afeições, depois as percepções e, finalmente, os pensamentos. E é notório que todos os sons vêm dos pulmões, e que há variações dos sons, dos quais uns poucos derivam do entendimento, e alguns mais e outros muitos. Os sons que derivam pouco do entendimento são os sons do canto e da música; os que derivam mais do entendimento são os sons interiores da linguagem; e os que ainda mais derivam do entendimento são os sons exteriores da linguagem. A linguagem mesma os propala pelas articulações do som, que são as palavras. Que haja correspondência dos sons e da linguagem com a vida da vontade, que é o amor, e com a vida do entendimento, que é a sabedoria, pode-se perceber com o ouvido; pelo som, qual é para ele a afeição do amor, e pela linguagem qual é para ele a sabedoria do entendimento tem. Isto é percebido manifestamente pelos anjos, mas obscuramente pelos homens. A correspondência do som mesmo é com a afeição do amor no entendimento; a correspondência das variações do som, tais como são os cantos e as músicas, é com as variações das afeições que pertencem ao amor da vontade no entendimento; a correspondência das variações do som que pouco derivam do entendimento é com a percepção; as que derivam mais, com a variação das percepções; e as que derivam muito, com o pensamento e as suas variações; e as ideias do pensamento com as palavras. Isto em resumo. Os pulmões são dois, que se chamam lobos; as fontes da respiração deles se chamam brônquios; o canal em que eles terminam se chama traqueia; a sua cabeça se chama laringe, e a abertura aí para o som se chama glote. Estes, em conjunto, são os pulmões, sua respiração e sua entonação, e estes tomados juntamente correspondem ao entendimento da vontade. As suas entonações correspondem ao entendimento, e os seus movimentos, à vontade.
[6] [124.] [Seção X. 6]
6. Estas coisas se fazem do mesmo modo nos bons e nos maus, com a diferença de que nos maus a vida da vontade não é purificada nem aperfeiçoada e elevada, mas conspurcada, depravada e embrutecida. Há em cada homem uma vontade e um entendimento, e há uma conjunção da vontade e do entendimento também recíproca, portanto, igualmente nos maus e nos bons. Mas o amor da vontade difere em cada um, e, daí, também a sabedoria do entendimento, a tal ponto que estão no oposto nos bons e nos maus; nos bons há o amor do bem e, daí, o entendimento do vero, mas nos maus há o amor do mal e, daí, do falso. Como, pois, o amor da vontade nos bons é não somente purificado pelo entendimento, mas também aperfeiçoado e elevado, como foi confirmado acima, segue-se que, nos maus, o amor da vontade é conspurcado, depravado e embrutecido pelo entendimento. Nos externos até aparece uma semelhança, porque os externos simulam e enganam, mas nos internos há dessemelhança. Este assunto, porém, tal como é em si, pode ser plenamente ilustrado pela correspondência do coração e dos pulmões. Em cada um há um coração e um pulmão, e há um casamento também recíproco do coração com o pulmão, e em cada um o sangue do coração é purificado da fleuma e nutrido por meio de elementos e odores voláteis do ar, todavia de modo inteiramente diferente nos bons e nos maus. Pelos seguintes registros da experiência pode-se concluir qual é a purificação da fleuma e da nutrição do sangue no pulmão nos bons e nos maus. No mundo espiritual, um bom espírito é atraído pelas narinas, com prazer, às fragrâncias e perfumes, e tem horror às coisas pútridas e malcheirosas; mas um mau espírito é atraído pelas narinas, com prazer, em relação às coisas pútridas e malcheirosas, e foge das fragrâncias e perfumes. Daí é que nos infernos há odores repugnantes, rançosos, estercorosos, cadaverosos e outros semelhantes, e isto porque todo odor corresponde à percepção que vem da afeição do amor de cada um, do mesmo modo que nos céus. Por aí é evidente que no mundo o sangue nos homens é nutrido pelo ar por coisas semelhantes para que nutrido pelos homogêneos, e pelos dessemelhantes para que seja purgado dos heterogêneos. O sangue humano é espiritual nos íntimos e corpóreo nos externos. Por isso, os que são espirituais o nutrem de coisas tais que na natureza correspondem às espirituais, mas os que são meramente naturais o nutrem de coisas tais que na natureza lhes correspondem. Daí é que tanta e tal grande dessemelhança de sangues nos homens quanta e qual é a dessemelhança dos amores, pois o sangue corresponde ao amor, como é evidente pelo que foi dito acima.
[7] [125.] [Seção X. 7]
7. Que o amor, que é a vida da vontade, faça toda a vida do homem. Acredita-se que o pensamento faz toda a vida do homem, mas é o amor que a faz. Que assim se acredite é porque o pensamento aparece ao homem, mas não tanto o amor. Se tirares o amor, ou algum fluxo [rivum] seu, que se chama afeição, não pensarás; esfriarás e morrerás. Mas não quanto tirares somente o pensamento, como acontece quando a memória perece e também no sono, nos desmaios, nas sufocações e no útero. Nesses, embora o homem não pense, ele vive, todavia, enquanto o coração pulsar, pois o coração corresponde ao amor. É semelhante com relação à vontade e ao entendimento, pois o amor pertence à vontade, e o pensamento ao entendimento.
[126.] [Seção X. 7 (2)]
Que o amor faça toda a vida do homem é também ilustrado no que precedeu pela correspondência do coração com o pulmão, e por ela foi demonstrado que, assim como coração no útero forma o pulmão, para que por ele opere a respiração e, assim, a linguagem, por semelhante modo o amor forma o entendimento, para que por ele pense e pelo pensamento fale. Assim também foi demonstrado que o amor por si produz as afeições, das quais vêm as intenções, por elas a percepção de que são as luzes, e pela percepção o pensamento, de que são as ideias, e destas a memória. E estas, tomadas juntamente são o amor do entendimento, às quais, em ordem semelhante, correspondem todas as coisas do pulmão.
[127.] [Seção X. 7 (3)]
Assim como o amor formara o entendimento para o uso do pensamento e da linguagem, assim também formara as demais funções da vida para os seus usos, algumas para o uso da nutrição, outras para o uso da quilificação e da sanguinificação, outras para o uso da procriação, outras para o uso da sensação, outras para o uso da ação e do deslocamento, nas quais nenhum outro pode atuar a vida senão o formador mesmo, que é o amor. A formação é feita pelo coração e seu sangue, porque o sangue corresponde ao amor e o coração ao seu receptáculo. E as vísceras, os órgãos e os membros de todo o corpo são aqueles em que as funções dos usos são formadas desde o amor por meio do coração. Quem puder examinar verá que semelhantes progressões dos usos, do primeiro ao último existem nas coisas que há no pulmão. Por estas e pelas precedentes explicações é evidente que o amor da vontade faz toda a vida do homem, e que a vida do entendimento vem dela. Consequentemente, que o homem é o seu amor, e por ele e segundo ele é o seu entendimento.

1. Que a vida da vontade se conjunte a vida do entendimento.

2. Que a conjuncao seja reciproca, e a qualidade dela.

3. Que a vida do entendimento purifique a vida da vontade, e tambem a aperfeiçoe e eleve.

4. Que a vida da vontade coopere com a vida do entendimento em todo movimento e, vice-versa, a vida do entendimento com a vida da vontade em todo sentido.

5. Do mesmo modo que no som e sua linguagem.

6. Do mesmo modo nos bons e nos maus, com a diferenca de que nos maus a vida da vontade nao e purificada nem aperfeiçoada e elevada nos maus, mas conspurcada, depravada e embrutecida.

7. Que o amor, que e da vontade, faca toda a vida do homem.

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