. [113.] IX. (Que o Divino Amor seja o Divino Bem, e a Divina Sabedoria seja o Divino Vero.)
Que o Divino Amor seja o Divino Bem e que a Divina Sabedoria seja o Divino Vero é porque tudo o que o amor faz é o bem, e tudo o que a sabedoria ensina é o vero. Daí é evidente que o Divino Amor, pelo efeito que é o uso, é atribuído ao Divino Bem, e que a Divina Sabedoria, também pelo efeito, que é o uso, é atribuída ao Divino Vero, pois o efeito é fazer e também ensinar, mas um pertence ao amor e o outro à sabedoria; e todo efeito pertence ao uso, e o uso é que se chama bem e vero, mas o bem é a essência do uso, e o vero é a sua forma. É desnecessário explicar e expor mais essas coisas, porque cada um pode ver pela razão que o amor faz e a sabedoria ensina, e que aquilo que o amor faz é o bem, e aquilo que a sabedoria ensina é o vero; além disso, que o bem que o amor faz é o uso, e que o vero que a sabedoria ensina também é o uso. Apenas reflete contigo mesmo o que é o amor sem o bem no efeito, e o que é o bem no efeito sem o uso, se o amor é alguma coisa e se o bem é alguma coisa, mas que é alguma coisa no uso; consequentemente, que o amor existe no uso. Semelhantemente em relação à sabedoria pelo vero, pois ela ensina e o amor faz. Por isso é que o calor, que vem do Sol que é o Senhor, é chamado Divino Bem, e a luz desse Sol é chamada Divino Vero. São chamados assim por causa do efeito, pois esse calor é o efeito do amor, e a luz é o efeito da sabedoria, e ambos são o uso, já que esse calor vivifica os anjos e essa luz os ilumina, igualmente em relação aos homens.
[2] [114.] [Seção IX. (2)]
No artigo antecedente se mostrou o que é o Divino Amor; agora se dirá aqui o que é a Divina Sabedoria. A Divina Sabedoria é aquela que se chama Divina Providência, e também a que se chama Divina Ordem; e os Divinos veros são chamados Leis da Divina Providência, dos quais se tratou acima, e também chamados Leis da Divina Ordem. Essas leis consideram, de uma parte, o Senhor, e de outra parte, o homem, e de ambas as partes consideram a conjunção. O Divino Amor tem por objeto conduzir o homem e trazê-lo a si, e a Divina Sabedoria tem por objeto ensinar ao homem o caminho que ele deve andar para entrar em conjunção com o Senhor. Esse caminho o Senhor ensina na Palavra, especialmente no Decálogo. Por isso é que essas duas tábuas foram escritas pelo dedo do próprio Senhor, sendo que uma delas considera o Senhor, a outra, o homem, e ambas, a conjunção. Portanto, para que se conheça o caminho, o Decálogo deve ser explicado, o que se fará na sequência.
[3] [Seção IX. (3)]
Visto que o homem é receptáculo tanto do Divino Amor quanto da Divina Sabedoria, por isso foi-lhe dada uma vontade e foi-lhe dado um entendimento; a vontade em que deve receber o Divino Amor, e o entendimento em que deve receber a Divina Sabedoria; o Divino Amor na vontade por meio da vida, e a Divina Sabedoria no entendimento por meio da doutrina. Mas, de que maneira se dá a recepção por meio da doutrina na vida e por meio da vida na doutrina, é toda a obra que na explicação do Decálogo será ensinada tão claramente quanto possível.
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