DWIS &8

Da Divina Sabedoria
Emanuel Swedenborg
Tratado sobre a Natureza e Manifestacao da Divina Sabedoria

. [106.] VIII. Que não exista nem possa existir anjo nem espírito algum que não tenha nascido homem no mundo.
Que os anjos não tenham sido criados imediatamente, mas que todos os que estão ou estiveram no céu tenham nascido primeiro como homens e, após terminada a vida no mundo, sejam anjos, mostrou-se na obra O Céu e o Inferno (n. 311-317). Que tampouco algum anjo poderia existir senão do homem nascido no mundo, e que isto seja segundo a ordem Divina, ver-se-á pelo seguinte:
1. Que no homem haja uma mente angélica.
2. Que essa mente não possa ser formada senão no homem.
3. Tampouco ser procriada e multiplicada por procriações.
4. Que os espíritos e os anjos derivem daí o fato de poderem existir e viver na eternidade.
5. E de poderem ser adjuntos e conjuntos ao gênero humano.
6. E assim existir o céu, que foi o propósito da criação.
[107.] [Seção VIII. 1]
1. Que no homem haja uma mente angélica. Sabe-se no mundo cristão que o homem nasce para o céu, e que, além disso, se vive bem, há de vir ao céu e ali há de ser consociado com os anjos como um deles; depois, também que ele tem uma alma ou mente que é tal, e que nela há de viver na eternidade; e que essa mente, considerada em si mesma, é a sabedoria oriunda do Senhor pelo amor a Ele, e que os anjos também têm uma mente semelhante. Daí é evidente que no homem há uma mente angélica. Acresce que essa mente é o homem mesmo, pois todo homem é homem por ela, e tal homem qual ela é. O corpo de que essa mente se reveste e se envolve no mundo não é o homem em si, pois este não pode se tornar sábio pelo Senhor e amar a Ele por si, mas por sua mente. Por isso, também, o corpo é separado e rejeitado quando a mente está para sair e se tornar anjo. Que ela então venha também à sabedoria angélica é porque são abertos os três graus de vida dessa mente, porque todo homem tem três graus de vida: o grau ínfimo é o natural, no qual o homem está no mundo; o segundo grau é espiritual, no qual está todo anjo nos céus inferiores; o terceiro grau é celeste, no que está todo anjo nos céus superiores. E o homem é anjo conforme no mundo são abertos nele os dois graus superiores, pela sabedoria oriunda do Senhor e pelo amor a Ele, mas ele não sabe no mundo que esses graus são abertos neles antes que o primeiro grau, que é o natural, seja separado, e a separação se dá pela morte do corpo. Que então ele saiba como um anjo, ainda que não no mundo, é o que [me] foi dado ver e ouvir. Vi, nos céus, muitos, de ambos os sexos, que conheci no mundo e que, quando viveram aqui, acreditaram com simplicidade nas coisas do Senhor que há na Palavra e viveram fielmente segundo elas, e foram ouvidos no céu falando coisas inefáveis que se dizem a respeito dos anjos.
[2] [108.] [Seção VIII. 2]
2. (Que essa mente não possa ser formada senão no homem.) Há muitas razões pelas quais essa mente não pode ser formada senão no homem. Como todo influxo Divino é desde os primeiros nos últimos, por ligação com os últimos, nos meios, e assim o Senhor Se liga a todas as coisas da criação, por isso também Ele é chamado ‘Primeiro e Último’. Esta foi também a causa por que Ele veio ao mundo e se revestiu de um corpo Humano, e também aí Se glorificou, para que desde os primeiros e, ao mesmo tempo, pelos últimos, governasse o universo, tanto o céu quanto o mundo. Semelhantemente se dá em relação a toda operação Divina. Que isto seja assim, é porque nos últimos coexistem todas as coisas, pois todas as coisas que estão na ordem sucessiva estão aí na ordem simultânea; por isso, todas as coisas que estão na ordem simultânea estão em continua ligação com todas as que estão na ordem sucessiva, do que é evidente que o Divino no último está em seu pleno. O que é e qual é a ordem sucessiva, e também o que é e qual é a ordem simultânea, vê-se acima. Daí é evidente que toda a criação é feita nos últimos, e que toda operação Divina caminha para os últimos e aí cria e opera.
[109.] Que a mente angélica seja formada no homem é evidente por sua formação no útero e também por sua formação após o parto, e que é pela lei da ordem Divina que todas as coisas retornem dos últimos ao primeiro de que procedem, e o homem ao Criador pelo qual foi criado.
[2] [Seção VIII. 2 (4)]
Pela formação do homem no útero, vê-se pelo que foi citado acima, onde se mostrou que o homem é formado plenamente para o parto, pela vida que vem do Senhor, para a recepção da vida proveniente d’Ele, para recepção do amor pela futura vontade e para a recepção da sabedoria pelo futuro entendimento, os quais [vontade e entendimento] constituem uma só mente, que pode se tornar mente angélica.
[Seção VIII. 2 (5)]
Por sua formação após o parto, que todos os meios sejam providos para que o homem possa se tornar tal mente, pois cada nação tem uma religião e a presença do Senhor está em toda parte, e Ele é conjunto segundo o grau de amor e, daí, de sabedoria. Assim há em cada homem a capacidade de ser formado, e, (naquele) que quer, uma contínua formação desde a infância até a velhice para o céu, para se tornar anjo.
[Seção VIII. 2 (6)]
Que seja da ordem Divina que todas as coisas retornem dos últimos até o primeiro, de que veio, pode-se ver por tudo o que é criado no mundo. A semente é o primeiro da árvore; a árvore surge da semente, da terra, cresce em ramos, floresce, produz frutos e começa a repor a semente, voltando assim àquilo de que procedeu. Dá-se de modo semelhante com todo arbusto, planta e flor. A semente também é o primeiro dos animais; este é formado na matriz ou no ovo, para o parto; em seguida, cresce e se torna animal, que, quando está maduro, tem em si a semente. Assim, tudo no reino animal, assim como tudo no vegetal, surge de um primeiro e vai para o último, e do último ressurge ao primeiro de que procedeu. No homem se dá semelhantemente, com a diferença de que o primeiro dos animais e dos vegetais é natural, e, por isso, quando se desenvolve, é devolvido à natureza, enquanto o primeiro do homem é espiritual, do mesmo modo que sua alma, receptível do Divino Amor e da Divina Sabedoria; sendo este separado do corpo que é devolvido à natureza, não pode deixar de retornar ao Senhor, de Quem ele tem a vida. Outros tipos deste assunto também existem em ambos os reinos, vegetal e animal; no vegetal, por sua ressurreição da cinza, e no animal, pela metamorfose das lagartas em crisálidas e borboletas.
[3] [111.] [Seção VIII. 3
3. Que a mente angélica tampouco pode (falta pode) ser procriada e multiplicada por procriações senão no homem. Quem conhece quais substâncias há no mundo espiritual e, relativamente quais matérias há no mundo natural pode ver facilmente que não existe procriação alguma das mentes angélicas, nem podem existir, a não ser naqueles e por aqueles que habitam no último da obra de criação, a terra. Como, porém, se ignoram quais são as substâncias no mundo espiritual relativamente às matérias no mundo natural [elas serão descritas]. As substâncias no mundo espiritual aparecem como se fossem materiais, mas não são; e como não são materiais, por isso não são constantes. Elas são correspondências das afeições dos anjos, e permanecem com as afeições ou com os anjos, e com eles desparecem. Aconteceria de modo semelhante com os anjos, se eles ali tivessem sido criados. E, além disso, nos anjos não há nem pode haver outra procriação e, daí, outra multiplicação senão a espiritual, que é da sabedoria e do amor, como também é a das almas dos homens que são gerados de novo ou regenerados. No mundo natural, porém, há matérias pelas quais e das quais se podem fazer as procriações e, em seguida, formações, assim, as multiplicações dos homens e, daí, dos anjos.
[4] [112.] [Seção VIII. 4]
4. [Que os espíritos e os anjos derivem daí o fato de poderem existir e viver na eternidade.] Que os espíritos e os anjos daí derivem o fato de poderem subsistir e viver na eternidade é porque o anjo e o espírito, pelo fato de nascerem primeiro como homem no mundo, trazem consigo a condição de subsistir, pois trazem consigo dos íntimos da natureza o meio entre o espiritual e o natural, pelo qual é definido, para que sejam subsistentes e permanentes. Por meio disto eles têm o relativo às coisas que há na natureza e também o que a elas corresponde.
[5] [Seção VIII. 5]
5. Por este meio os espíritos e anjos podem ser adjuntos e conjuntos ao gênero humano, porquanto há conjunção, e onde há conjunção deve haver também o meio. Os anjos sabem que há tal meio, mas, como vem dos íntimos da natureza, e as palavras das línguas vêm de seus últimos, não pode ser descrito senão por termos abstratos.
[6] [Seção VIII. 6]
6. [Que o céu angélico, que foi o propósito da criação, não existiria de outra maneira.] Disto se segue agora que o céu angélico, que foi o propósito da criação, não existiria de outra maneira; assim, que o gênero humano é a sua sementeira e sua despensa.

1. Que no homem haja uma mente angelica.

2. Que essa mente nao possa ser formada senao no homem.

3. Tampouco ser procriada e multiplicada por procriaces.

4. Que os espiritos e anjos dai derivem o fato de poderem subsistir e viver na eternidade.

5. E de poderem ser adjuntos e conjuntos ao genero humano.

6. E assim existir o ceu, que foi o proposito da criacao.

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