. A caridade e a fé, no homem, são absolutamente como os movimentos do coração, que se chamam sístole e diástole, e o movimento do pulmão, que se chama respiração. Também existe uma plenária correspondência deles com a vontade e o entendimento do homem, portanto, com a caridade e a fé. Por isso, também, a vontade e sua afeição são entendidos, na Palavra, por "coração" e o entendimento e seu pensamento são entendidos, na Palavra, por "alma" e também "espírito". Assim, "entregar a alma" é quando ela não mais anima o corpo, e "entregar o espírito" é não mais respirar. Disso se segue que não pode haver fé sem caridade nem caridade sem fé. E a fé sem caridade é como a respiração pulmonar sem o coração, que não pode haver em ser vivo algum, mas somente num autômato. E a caridade sem a fé é como o coração sem o pulmão, do que não se sente o que é vivo. Conseqüentemente, a caridade opera o uso por meio da fé, assim como o coração produz a ação por meio do pulmão. Há tanta semelhança entre o coração e a caridade, como também entre o pulmão e a fé, que, no mundo espiritual, cada um é conhecido em que fé está apenas pela respiração, e em que caridade está apenas pelo batimento do coração. Com efeito, os anjos e espíritos vivem, igualmente aos homens, pelo coração e pela respiração. Por isso é que eles sentem, pensam, agem e falam semelhantemente aos homens no mundo.
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