. O céu também está onde o Senhor é reconhecido, crido e amado. A variedade do culto a Ele, decorrente da variedade do bem em uma sociedade e em outra, não é prejudicial mas proveitosa, pois nisso consiste a perfeição do céu. Que a perfeição do céu venha daí, dificilmente pode ser explicado à compreensão, a não ser que se empreguem expressões comuns usadas no mundo literato e por elas seja exposto de que modo é perfeita a unidade que é formada de vários. Toda unidade existe por coisas variadas, pois a unidade que não vem de variedades não é coisa alguma, não tem forma e, assim, não tem qualidade. Mas quando a unidade existe de variedades e as variedades estão numa forma perfeita, na qual tudo se adjunta à outra em série como amigo concordante, então tem qualidade perfeita. O céu é, também, uma unidade de variedades ordenadas numa forma perfeitíssima, pois a forma celeste é a mais perfeita de todas as formas. Que toda perfeição exista daí, vê-se por toda beleza, toda amenidade e todo prazer que tocam tanto os sentidos quanto a mente. De fato, esses não existem nem fluem de outra parte senão da conformidade e da harmonia de muitos concordantes e conformes, sejam coexistentes nessa ordem, sejam na ordem conseqüente e não de um sem a pluralidade. Daí se dizer que a variedade deleita e sabe-se que o deleite é segundo sua qualidade. Por aí se pode ver, como num espelho, donde vem a perfeição da variedade também no céu, pois, pelas coisas que existem no mundo natural, podem ser vistas, como num espelho, as que estão no mundo espiritual *54.
*54 Que toda unidade seja proveniente da harmonia e da conformidade de muitos e que não venha de outra parte a sua qualidade (n. 457). Que, assim, todo o céu seja um (n. 457). E isto pelo fato de todos ali visarem a um fim, que é o Senhor (n. 9828).