. Pode-se dizer sobre a igreja o mesmo que foi dito sobre o céu, pois a igreja é o céu do Senhor nas terras. As igrejas, também, são muitas e, todavia, cada uma é chamada igreja e é uma igreja tanto quanto nela reinar o bem do amor e da fé. Aí, também, o Senhor, de várias faz uma só; assim, de muitas, faz uma só igreja *55. Coisa semelhante ao que se diz da igreja em geral pode-se dizer do homem da igreja em particular, a saber, que a igreja está dentro do homem e não fora dele; e em qualquer homem que é uma igreja o Senhor está presente no bem do amor e da fé *56. Pode-se também dizer do homem em quem está a igreja o mesmo que se diz do anjo em quem está o céu: ele é uma igreja na menor forma, assim como o anjo é o céu na mínima forma. E, ainda mais, o homem em quem está a igreja é um céu, igualmente ao anjo. Pois o homem foi criado para que venha ao céu e se torne anjo; por isso, aquele em quem está o bem do Senhor é um anjo-homem *57. É lícito lembrar o que o homem tem em comum com o anjo e o que tem mais que os anjos. O homem tem em comum com o anjo que os seus interiores foram igualmente formados à imagem do céu e também se torna uma imagem do céu tanto quanto estiver no bem do amor e da fé. O homem tem a mais do que os anjos que os seus exteriores foram formados à imagem do mundo e, tanto quanto estiver no bem, o mundo nele é subordinado ao céu, para que sirva ao céu *58. E, então, o Senhor está presente em ambos como em seu céu. Com efeito, há a ordem Divina em um e outro, pois Deus é a ordem *59.
*55 Se o bem fosse o caráter e o essencial da igreja e não o vero sem o bem, a igreja seria uma só (n. 1285, 1316, 2982, 3267, 3445, 3451, 3452). Que, também, todas as igrejas, pelo bem, façam uma só perante o Senhor (n. 7396, 9276).
*56 Que a igreja esteja na pessoa e não fora dela e que a igreja no geral seja proveniente de pessoas em quem está a igreja (n. 3884).
*57 Que o homem em que está a igreja seja o céu na mínima forma, à imagem da máxima, porque os interiores de sua mente foram dispostos na forma do céu e, assim, para a recepção de tudo do céu (ns. 911, 1900, 1928, 3624-3614, 3634, 3884, 4041, 4279, 4523, 4524, 4625, 6013, 6057, 9279, 9632).
*58 Que o homem seja interno e externo e que o seu interno, por criação, tenha sido formado à imagem do céu e o seu externo à imagem do mundo e que, assim, o homem tenha sido chamado microcosmo pelos antigos (ns. 3628, 4523, 4524, 5115, 6013, 6057, 9279, 9706, 10156, 10472). Que, assim, o homem tenha sido criado para que o mundo nele sirva ao céu; que, também, isso aconteça nos bons, mas o inverso nos maus, nos quais o céu serve ao mundo (ns. 9283, 9278).
*59 Que o Senhor seja a ordem, porquanto o Divino bem e vero, que procedem do Senhor, fazem a ordem (ns. 1728, 1919, 2211, 2258, 5110, 5703, 8988, 10336, 10619). Que os veros Divinos sejam as leis da ordem (ns. 2247, 7995). Que tanto quanto o homem viva segundo a ordem, assim, tanto quanto no bem segundo os Divinos veros, assim seja homem e nele estejam a igreja e o céu (ns. 4839, 6605, 8513).