HH 111

O Céu e o Inferno
Emanuel Swedenborg
O Céu e as suas Maravilhas, e o Inferno, Segundo o que foi ouvido e visto

. Há semelhante correspondência com as coisas que estão no reino vegetal. O jardim em geral corresponde ao céu quanto à inteligência e à sabedoria, pelo que o céu é chamado Jardim de Deus, Paraíso *80 e, pelo homem, Paraíso celeste. As árvores, segundo as suas espécies, correspondem às percepções e aos conhecimentos do bem e do vero pelos quais há inteligência e sabedoria. Por isso é que os antigos, que estavam na ciência das correspondências, faziam o seu culto santo nos bosques *81. E por isso é, também, que as árvores são nomeadas tantas vezes na Palavra, como a videira, a oliveira, o cedro e outras e a elas são comparados o céu, a igreja e o homem. Os frutos são comparados às boas obras que se praticam. Também os alimentos que procedem delas, especialmente os que vêm das sementes da colheita do campo, correspondem às afeições do bem e do vero, em razão de nutrirem a vida espiritual, assim como os alimentos terrenos nutrem o natural *82. Assim, o pão em geral corresponde às afeições de todo o bem, porque ele, mais do que os outros, sustenta a vida e por ele se entende todo alimento. Por causa dessa correspondência, também, o Senhor Se chama “Pão da vida”. E também por essa causa os pães tiveram um uso santo na Igreja Israelita, porque os punham sobre a mesa, no tabernáculo e os chamavam Pão das faces. Do mesmo modo, todo culto Divino, que se fazia por meio dos sacrifícios e holocaustos, era chamado “pão”. Ainda por causa dessa correspondência, o santíssimo do culto na Igreja é a Santa Ceia, na qual há o pão e o vinho *83. Por essas poucas ilustrações se pode ver o que é a correspondência.

*80 Que o “jardim” e o “paraíso”, pela correspondência, signifiquem a inteligência e a sabedoria (n. 100, 108); pela experiência (n. 3220). Que todas as coisas que correspondem também signifiquem o mesmo na Palavra (n. 2896, 2987, 2989, 2990, 2991, 3002, 3225).
*81 Que as “árvores” signifiquem as percepções e os conhecimentos (n. 103, 2163, 2682, 2722, 2972, 7692). Que, por isso, os antigos prestaram o culto Divino nos bosques, sob as árvores segundo as correspondências delas (n. 2722, 4552). Do influxo do céu nos sujeitos do reino vegetal, como nas árvores e plantas (n. 3648).
*82 Que os alimentos, pela correspondência, signifiquem coisas tais que nutrem a vida espiritual (n. 3114, 4459, 4792, 4976, 5147, 5293, 5340, 5342, 5410, 5426, 5576, 5582, 5588 5655 5915, 6277, 8562, 9003).
*83 Que o “pão” signifique todo bem que nutre a vida espiritual do homem (n. 2165, 2177, 3478, 3735, 3813, 4211, 4217, 4735 4976, 9323, 9545 10686). Que os pães que ficavam sobre a mesa no tabernáculo tenham significado coisa semelhante (n. 3478, 9545). Que os sacrifícios em geral tenham sido chamados “pão” (n. 2165). Que o pão represente todo alimento (n. 2165), assim, que signifique todo alimento celeste e espiritual (n. 276, 680, 2165, 2177, 3478, 6118, 8410).

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