. Os anjos, assim como os homens, têm um entendimento e uma vontade. A luz do céu faz a vida do seu entendimento, porque a luz do céu é o Divino vero e, assim, a Divina sabedoria. E o calor do céu faz a vida de sua vontade deles, porque o calor do céu é o Divino bem e, assim, o Divino amor. A vida mesma dos anjos procede do calor e não da luz, a não ser quanto houver nela do calor. Que a vida proceda do calor, é evidente, porque, sendo retirado este, a vida perece. É semelhante com a fé sem o amor ou com o vero sem o bem, porque o vero que se chama da fé é a luz e o bem que se chama do amor é o calor *104. Estas coisas se tornam ainda mais evidentes pelo calor e pela luz do mundo, a que o calor e a luz do céu correspondem. Pelo calor do mundo conjunto à luz, todas as coisas que estão sobre a terra são vivificadas e florescem. São conjuntos nas estações da primeira e do verão; pela luz separada do calor, porém, nada é vivificado nem floresce, mas tudo se entorpece e morre. Não são conjuntos na estação do inferno, quando o calor se ausenta e a luz permanece. Por essa correspondência o céu é chamado Paraíso, visto que aí o vero é conjunto ao bem, ou a fé ao amor, como a luz do calor na estação da primavera nas terras. Por aí se vê mais claramente, agora, a verdade de que se tratou acima no capítulo próprio (ns. 13-19), que o Divino do Senhor no céu é o amor a Ele e a caridade para com o próximo.
*104 Que os veros sem os bens não sejam veros em si, porque não têm vida; pois toda vida dos veros provém dos bens (n. 9603). Assim, que sejam como um corpo sem alma (n. 3180, 9154). Que os veros sem os bens não sejam aceitos pelo Senhor (n. 4368). O que é o vero sem os bens, assim, qual é a fé sem o amor e o que é vero dos bens, ou, o que é a fé proveniente do amor (n. 1949, 1950, 1951, 1964, 5830, 5951). Que resulta no mesmo, se se diz vero ou fé e bem ou amor, porque o vero pertence à fé e o bem pert ence ao amor (n. 1839, 4352, 4997, 7178, 7623, 7624, 10367).