. Os anjos que são do reino celeste do Senhor falam de modo semelhante ao dos anjos do reino espiritual do Senhor, mas os anjos celestes o fazem por um pensamento mais interior que os anjos espirituais. E como os anjos celestes estão no bem do amor ao Senhor, falam pela sabedoria; e os anjos espirituais, por estarem no bem da caridade para com o próximo, o que, em sua essência, é o vero (n. 215), falam pela inteligência, pois a sabedoria vem do bem e a inteligência vem do vero. Assim, a linguagem dos anjos celestes é como a corrente mansa de um rio, suave e, por assim dizer, contínua, mas a linguagem dos anjos espirituais é um pouco vibratória e cortada. A linguagem dos anjos celestes também ressoa muito com as vogais U e O, enquanto a linguagem dos anjos espirituais ressoa com as vocais E e I. Com efeito, as vogais são para o som e no som está a afeição, pois, como foi dito acima (n. 236), o som da linguagem dos anjos corresponde à afeição enquanto a articulação do som, que são as palavras, corresponde às idéias do pensamento que vêm da afeição. Porque as vogais não pertencem à língua, mas à elevação de suas palavras pelo som para as diversas afeições, segundo o estado de cada um. Por isso, na língua hebraica, as vogais não são expressas e, também, são enunciadas de modo variado. Por aí os anjos conhecem qual é o homem quanto à afeição e ao amor. A linguagem dos anjos celestes é também desprovida de consoantes duras e raramente uma consoante se liga a outra consoante, a não ser pela interposição de uma palavra que comece com uma vogal. Assim é que na Palavra se acha interposto tantas vezes o vocábulo “e” - como podem ver os que lerem a Palavra na língua hebraica, na qual esse vocábulo é suave - e ambos os vocábulos [que ela liga] ressoam pela vogal. Pelos vocábulos na Palavra, nessa língua, também se pode de algum modo saber se eles pertencem à classe celeste ou à classe espiritual, se envolvem o bem ou se envolvem o vero. Os que envolvem o bem tiram muito do U e do O, como também, algumas vezes, do A, enquanto os que envolvem o vero tiram do E e do I. Como as afeições se mostram principalmente pelos sons, por isso também, na conversa do homem, se preferem palavras que contêm U e O quando se trata de assuntos magnos, como sobre o céu e sobre Deus. Também os sons da música elevam quando são expressos por elas. É diferente quando se trata de assuntos não tão magnos. Assim é que a arte da música tem a capacidade de exprimir afeições de vários gêneros.
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