HH 266

O Céu e o Inferno
Emanuel Swedenborg
O Céu e as suas Maravilhas, e o Inferno, Segundo o que foi ouvido e visto

. Qual é a sabedoria dos anjos, podese concluir pelo fato de eles estarem na luz do céu e a luz do céu, em sua essência, é o Divino vero ou a Divina sabedoria. Essa luz ilumina ao mesmo tempo a visão interna, que pertence à mente e a visão externa, que pertence aos olhos. (Que a luz do céu seja o Divino vero ou a Divina sabedoria, veja-se acima, ns. 126-133). Os anjos estão também no calor celeste que, em sua essência, é o Divino bem ou o Divino amor, do qual têm a afeição ou o desejo de saber. (Que o calor do céu seja o Divino bem ou o Divino amor, veja-se acima, ns. 133-140). Que os anjos estejam na sabedoria ao ponto de se poder chamá-los de sabedorias, pode-se concluir pelo fato de que todos os seus pensamentos e afeições fluem segundo a forma celeste, que é a forma da Divina sabedoria e os seus interiores, que recebem a sabedoria, foram compostos para essa forma. (Que os pensamentos e as afeições dos anjos fluam segundo a forma do céu, por conseguinte, também sua inteligência e a sabedoria, veja-se acima, ns. 201-212). Que os anjos estejam numa sabedoria sobreeminente, também se pode ver pelo fato de a sua linguagem ser a linguagem da sabedoria, pois ela flui imediata e espontaneamente do pensamento e este da afeição, de sorte que a linguagem deles é o pensamento da afeição na forma externa. Assim é que nada os separa do influxo Divino, nem coisa alguma externa entra de outra parte em seus pensamentos, como se dá no homem na sua linguagem. (Que a linguagem dos anjos seja a linguagem dos seus pensamentos e afeições, veja-se no ns. 234-245). O que também coopera para tal sabedoria dos anjos é que todas as coisas que vêem pelos olhos e percebem pelos sentidos concordam com a sua sabedoria, porquanto são correspondências e, assim, objetos da forma representativa das coisas que são da sabedoria. (Que todas as coisas que aparecem nos céus sejam correspondências com os interiores dos anjos e que, assim, sejam representações de sua sabedoria, veja-se acima, ns. 170-182). Além disso, os pensamentos dos anjos não são limitados e restritos pelas idéia de espaço e de tempo, como se dá com os pensamentos humanos, pois o espaço e o tempo são próprios da natureza e os próprios da natureza tiram a mente das coisas espirituais e desviam a extensão da vista intelectual. (Que as idéias dos anjos sejam destituídas de tempo e espaço e, assim, mais ilimitadas que as humanas, veja-se acima, ns. 162-169 e 191-199). Os pensamentos dos anjos tampouco são levados para as coisas terrestres e materiais, nem são interrompidos por quaisquer cuidados sobre as necessidades da vida; assim, não são, por esses cuidados, desviados dos prazeres da sabedoria, como se dá com os pensamentos dos homens no mundo. Com efeito, todas as coisas lhes vêm gratuitamente de Deus: vestem-se gratuitamente, alimentam-se gratuitamente e habitam gratuitamente (n. 181-190). Além disso, recebem o prazer e a amenidade segundo a recepção as sabedoria do Senhor. Estas coisas foram ditas para se saiba de onde vem tanta sabedoria para os anjos *183.

*183 Da sabedoria dos anjos, que seja incompreensível e inexplicável (n. 2795, 2796, 2802, 3314, 3404, 3405, 9094, 9176).

📚 Versão Impressa

Para estudo mais confortável, adquira esta obra em formato impresso.