HH 299

O Céu e o Inferno
Emanuel Swedenborg
O Céu e as suas Maravilhas, e o Inferno, Segundo o que foi ouvido e visto

. Foi-me concedido saber também de onde vem ao homem a ansiedade, a dor da mente e a tristeza interior que se chama melancolia. Há espíritos que ainda não estão em conjunção com os infernos, porque ainda estão em seu primeiro estado – de que se falará na seqüência, onde se tratar do mundo dos espíritos. Esses amam as coisas indigestas e ruins, tais como são as impurezas dos alimentos no estômago; por isso, adjunta no homem onde estão essas coisas, pois lhes são prazerosas e ali falam entre si por suas afeições más. A afeição de sua linguagem influi dali no homem e essa afeição, se for contrária à afeição do homem, causa-lhe tristeza e melancólica ansiedade; mas, se for concordante, causa-lhe alegria e alacridade. Esses espíritos aparecem junto ao estômago, alguns à sua esquerda, alguns à sua direita, alguns abaixo e alguns acima e, também, mais próximos e mais afastados, assim, de modo variado, segundo as afeições em que estão. Que daí ocorra ansiedade da mente, foi-me dado saber e confirmar por muitas experiências, pois os vi, ouvi, senti a ansiedade causada por eles e falei com eles; foram afastados e a ansiedade cessou, voltaram e a ansiedade voltou; e percebi seu aumento e diminuição, segundo a proximidade e a remoção deles. Daí tornou-se-me evidente por que motivo alguns, que não sabem o que é consciência, pelo fato de não terem consciência, atribuem sua dor ao estômago *208.

*208 Que aqueles que não têm consciência não saibam o que consciência é (n. 7490, 9121). Que haja alguns que riam quando ouvem que há consciência (n. 7217). Que alguns creiam que consciência nada é; alguns, que seja algo natural, triste e doloroso, seja por razões do corpo, seja por razões do mundo; alguns, que seja algo no vulgo pelo religioso (n.206, 831, 950). Que haja a consciência verdadeira, a consciência espúria e a consciência falsa (n. 1033). Que a dor de consciência seja a ansiedade da mente e m razão do que é injusto e insincero e por algum mal que o homem acredita ser contra Deus e contra o bem do próximo (n. 7217). Que haja consciência naqueles que estão no amor a Deus e na caridade para com o próximo, mas não naqueles que não estão (n. 831 , 965, 2380, 7490).

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