. De que maneira o céu é conjunto ao homem pelo Palavra é o que quero esclarecer por algumas passagens dela. A Nova Jerusalém é descrita no Apocalipse com essas palavras:
“Vi um novo céu e uma nova terra e o primeiro céu e a primeira terra passaram... e vi a santa cidade, Jerusalém ... de Deus descendo do céu... A cidade era quadrangular, seu comprimento [era] tanto quanto a largura; e o anjo mediu com uma cana a cidade até doze mil estádios de comprimento, largura e altura ... iguais. E mediu o seu muro cento e quarenta e quatro cúbitos, medida de homem, que é a de anjo; ... a estrutura do muro era de jaspe, mas a cidade mesma de ouro puro e semelhante ao vidro puro; e as fundações do muro ... ornadas de toda pedra preciosa... As doze portas eram de pérola e as praças da cidade de ouro puro, como o vidro transparente” (Apoc. 21:1, 2, 16-19, 21).
O homem que lê estas palavras não as entende senão segundo o sentido da letra, a saber, que o céu visível deve perecer com a terra e um novo céu deve existir; e sobre a nova terra deve descer a cidade santa, Jerusalém e ela deverá ser, quanto a todas as suas medidas, segundo a descrição. Mas os anjos que estão no homem entendem essas coisas de maneira completamente diferente, a saber, entendem espiritualmente cada coisa que o homem entende naturalmente. Por “novo céu e a nova terra” entendem uma nova igreja; pela “cidade de Jerusalém de Deus descendo do céu” entendem sua doutrina celeste revelada pelo Senhor; pelo seu “comprimento”, “largura” e “altura”, que são iguais e têm doze mil estádios, entendem todos os bens e veros dessa doutrina em conjunto; pelo seu “muro” entendem os veros que a protegem; pela medida do muro “centro e quarenta e quatro cúbitos”, que é “medida de homem, isto é, de anjo”, entendem todos esses veros que a protegem, em conjunto e a qualidade deles; pelas suas “doze portas”, que são de pérolas, entendem os veros introdutórios; as “pérolas”, também, significam esses veros; pelas “fundações do muro”, que eram de pedras preciosas, entendem os conhecimentos sobre os quais essa doutrina está fundada; pelo “ouro semelhante a vidro puro” de que eram feitos a cidade e as suas praças entendem o bem do amor, pelo qual transparece a doutrina com seus veros. Assim os anjos percebem todas essas coisas, por conseguinte, não como o homem. As idéias naturais do homem passam, assim, para idéias espirituais nos anjos sem que eles saibam coisa alguma sobre o sentido da letra da Palavra, como um novo céu e uma nova terra, a nova cidade de Jerusalém, os seus muros, as fundações do muro e as medidas. Não obstante, os pensamentos dos anjos fazem um com os pensamentos do homem, porquanto correspondem; fazem um quase como as palavras de quem fala e o entendimento delas no ouvinte que não presta atenção às palavras, mas somente ao entendimento. Daí se vê de que maneira o céu é conjunto ao homem pela Palavra. Seja ainda este exemplo da Palavra:
“Naquele dia haverá uma vereda do Egito para Assíria e a Assíria virá ao Egito e o Egito à Assíria e os egípcios servirão aos assírios. Naquele dia Israel será o terceiro para o Egito e a Assíria uma bênção no meio da terra, a quem JEHOVAH Zebaoth bendirá, dizendo: Bendito o Meu povo, o Egito e a obra de Minhas mãos, a Assíria e Minha herança, Israel” (Isa. 19:23-25).
De que maneira o homem pensa e de que maneira os anjos pensam quando lêem estas palavras, pode-se ver pelo sentido da letra da Palavra e pelo seu sentido interno. O homem pensa pelo sentido da letra que o Egito e a Assíria se converterão a Deus e serão aceitos e que farão um com a nação israelita. Mas os anjos pensam segundo o sentido interno sobre o homem da igreja espiritual, que é descrito nesse sentido, no qual o espiritual é Israel, o natural é o Egito e o racional, que está no meio, é a Assíria *211. Este e aquele sentidos são, todavia, um só, porque se correspondem. Por isso, quando os anjos pensam assim, espiritualmente e o homem assim, naturalmente, estão conjuntos quase como a alma e o corpo. Também, o sentido interno da Palavra é a sua alma e o sentido da letra é o seu corpo. Tal é a Palavra em toda parte. Assim é evidente que ela é o meio de conjunção do céu com o homem e que o seu sentido da letra serve como base e fundação.
*211 Que o “Egito” e os “egípcios”, na Palavra, signifiquem o natural e, assim, o conhecimento (n. 4967, 5079, 5080, 5095, 5160, 5799, 6015, 6147, 6252, 7355, 7357, 7648, 9340, 9391). Que a “Assíria” signifique o racional (n. 119, 1186). Que “Israel” sig nifique o espiritual (n. 5414, 5801, 5803, 5806, 5812, 5817, 5819, 5826 5833, 5879, 5951, 6426, 6637, 6868, 6868, 7035, 7062, 7198, 7201, 7215, 7223, 7957, 8234, 8805, 9340).