. Fui informado do céu que para os antiqüíssimos houve uma revelação imediata, uma vez que seus interiores eram voltados para o céu e, daí, havia conjunção do Senhor com o gênero humano. Depois daquele tempo, porém, não houve mais essa revelação imediata, mas mediata, pelas correspondências, pois todo o culto Divino consistia de correspondências, donde é que as igrejas daquele tempo foram chamadas igrejas representativas. Com efeito, sabia-se então o que é correspondência, o que é representação e sabia-se que todas as coisas que estão na terra têm correspondências com as coisas espirituais que estão no céu e na igreja, ou, o que é o mesmo, representavam-nas. Por isso, as coisas naturais, que eram os externos do seu culto, lhes serviam como meios de pensarem espiritualmente, assim, como os anjos. Depois que a ciência das correspondências e das representações foi perdida, então foi escrita a Palavra, na qual todos os vocábulos e sentidos dos vocábulos são correspondências, contendo, desse modo, um sentido espiritual ou interno em que os anjos estão. Portanto, quando o homem lê a Palavra e a percebe segundo o sentido da letra ou externo, os anjos a percebem segundo o sentido interno ou espiritual, porque todo o pensamento dos anjos é espiritual, enquanto o pensamento do homem é natural. De fato, esses pensamentos parecem diferentes, mas são, no entanto, um só, porque correspondem. Assim é que, depois que o homem se afastou do céu e rompeu o vínculo, foi provido pelo Senhor para que houvesse um meio de conjunção do céu com o homem, pela Palavra.
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