HH 312

O Céu e o Inferno
Emanuel Swedenborg
O Céu e as suas Maravilhas, e o Inferno, Segundo o que foi ouvido e visto

. Que o homem da igreja creia assim, também é pela razão de que acredita que nenhum homem vem ao céu ou ao inferno antes do tempo do Juízo Final, do qual concebeu a opinião de que serão destruídas todas as coisas que há diante dos olhos e novas existirão e a alma voltará então ao seu corpo e, por essa conjunção, o homem viverá de novo homem. Essa fé envolve a outra sobre os anjos, que foram criados desde o princípio, pois ninguém pode crer que o céu e o inferno sejam provenientes do gênero humano enquanto crê que nenhum homem vá para lá antes do fim do mundo. Mas para que o homem seja convencido de que não é assim, foi-me dado ter consociação com os anjos e também falar com os que estão no inferno e isto já por alguns anos, algumas vezes continuamente, da manhã até à tarde e, assim, ser informado sobre o céu e sobre o inferno e isso a fim de que o homem da igreja não permaneça mais em sua fé errônea sobre a ressurreição no tempo do juízo, sobre o estado da alma durante esse tempo, enfim, sobre os anjos e o diabo. Essa fé, como é a fé do falso, envolve trevas, introduz dúvida e, finalmente, negação naqueles que pensam sobre esses pontos pela própria inteligência, porque esses dizem em seu coração: “Como pode um céu tão grande com tantos astros e com o sol e a lua, ser destruído e dissipado? e como podem as estrelas cair do céu na terra, quando são tão maiores que a terra? e como podem corpos roídos por vermes, consumidos de podridão e dissipados por todos os ventos, serem reunidos à sua alma? onde a alma fica durante esse tempo e como é ela sem os sentidos que tinha quando estava no corpo?” além de questões semelhantes. Essas coisas, como são incompreensíveis, não entram na fé e, em muitos, destroem a fé sobre a vida da alma após a morte e sobre o céu e o inferno e, com isso, as coisas restantes que são da fé da igreja. Que a fé seja destruída, é evidente por aqueles que dizem: “Quem veio do céu e nos contou o que há ali? O que é o inferno? Acaso existe? O que é isto de o homem ser atormentado num fogo eterno? O que é o dia do juízo? Não tem sido esperado em vão durante séculos?” além de muitas coisas que são a negação de tudo. Por isso, a fim de que aqueles que assim pensam – como se dá com muitos que, pelas coisas mundanas que sabem, são considerados eruditos e cultos – não mais perturbem e seduzam os simples de fé e de coração e introduzam trevas infernais sobre Deus, sobre o céu, sobre a vida eterna e sobre as outras coisas que daí dependem, foram abertos pelo Senhor os interiores que são do meu espírito e, assim, foi-me dado falar com todos os que uma vez conheci na vida do corpo, após falecerem. Com alguns falei durante alguns dias, com alguns durante meses e com alguns durante um ano. E, também, com alguns por tantas vezes que pouco diria se dissesse cem mil, dentre os quais muitos estavam nos céus e muitos nos infernos. Falei também com alguns dois dias após a morte e lhes contei que naquela hora estavam sendo preparados os funerais e exéquias para que fossem sepultados, ao que eles disseram que faziam bem em rejeitar aquilo que lhes tinha servido como corpo e para suas funções no mundo, mas quiseram que eu dissesse que não estão mortos, mas que vivem igualmente como homens, agora como antes; e que tinham somente transmigrado de um mundo para outro e não sabem que tenham perdido coisa alguma, visto que estão num corpo em seus sensuais como antes e também num entendimento e numa vontade como antes e têm semelhantes pensamentos e afeições, semelhantes sensações e semelhantes desejos, tais como no mundo. A maioria dos que tinham morrido recentemente, quando se viram homens viventes como antes e num estado similar (porque, após a morte, o primeiro estado da vida de cada um é tal qual fora no mundo, mas esse é sucessivamente mudado nele, seja no céu, seja no inferno) foram tomados de nova alegria por estarem vivos e disseram que não tinham acredito nisso. Mas ficaram muito admirados de terem estado em tal ignorância e cegueira sobre o estado de sua vida após a morte; e ainda mais que nesse estado esteja o homem da igreja, ele que, todavia, mais que todos os outros em todas as terras do universo, pode estar na luz do céu sobre essas crenças *215. Viram, então, pela primeira vez, a causa dessa cegueira e ignorância, isto é, que as coisas externas, que são mundanas e corpóreas, tinham ocupado e enchido suas mentes tanto que não poderiam ser elevados à luz do céu, nem considerar as coisas da igreja além das doutrinais, porque, pelas coisas corpóreas e mundanas, quanto são tão amadas como acontece hoje, influem meras trevas quando vão adiante.

*215 Que hoje no cristianismo poucos creiam que o homem ressurja logo após a morte (Pref. do cap. 16 de Gên. e n. 4622, 10758), mas no tempo do juízo final, quando o mundo visível for destruído (n. 10595). A razão de se crer assim (n. 10595, 10758). Que, todavia, o homem ressurja logo após a morte e que então seja homem quanto a todas e cada uma das coisas (n. 4527, 5006, 5078, 8939, 8991, 10594, 10758). Que a alma que vive após a morte seja o espírito do homem, que no homem é o próprio homem e também n a outra vida esteja em perfeita forma humana (n. 322, 1880, 1881, 3633, 4622, 4735, 5883, 6054, 6605, 6626, 7021, 10594); pela experiência (n. 4527, 5006, 8939); pela Palavra (n. 10597). É explicado o que se entende pelo fato de se terem vistos mortos na cidade santa, em Mat. 27:53 (n. 9229). De que maneira o homem é ressuscitado dos mortos, pela experiência (n. 168-189). Do seu estado após a ressurreição (n. 317-319, 2119, 5079, 105); falsas opiniões sobre a alma e sua ressurreição (n. 444, 445, 4527, 4622, 4558).

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