. Muitos dos eruditos do mundo cristão ficam estupefatos quando, após a morte, vêem-se num corpo, com vestimentas e em casas como no mundo. E quando trazem de volta à memória as coisas que tinham pensado sobre a vida após a morte, sobre a alma, sobre o espírito e sobre o céu e o inferno, ficam envergonhados e dizem que pensaram estupidamente e que os simples de fé são muito mais sábios do que eles. Eruditos – que se tinham confirmado em tais idéias e tinham atribuído todas as coisas à natureza – foram examinados e descobriu-se que os seus interiores foram inteiramente fechados e os exteriores abertos, de modo que não olhavam para o céu, mas para o mundo e, por conseguinte, para o inferno. Porque, quanto mais os interiores foram abertos, mais o homem olha para o céu e quanto mais os interiores foram fechados e os exteriores abertos, mais olha para o inferno. Pois os interiores do homem foram formados para a recepção de tudo o que é do céu e os exteriores para a recepção de tudo o que é do mundo; e os que recebem o mundo e não ao mesmo tempo o céu, recebem o inferno *216.
*216 Que, no homem, o mundo espiritual e o mundo natural estejam conjuntos (n. 6057). Que o interno do homem seja formado à imagem do céu, mas o externo à imagem do mundo (n. 3628, 4523, 4524, 6057, 6013, 9279, 9706, 10156, 10472).