HH 319

O Céu e o Inferno
Emanuel Swedenborg
O Céu e as suas Maravilhas, e o Inferno, Segundo o que foi ouvido e visto

. Que os gentios sejam salvos igualmente aos cristãos é o que podem saber os que sabem o que faz o céu no homem, pois o céu está no homem e os que têm o céu em si mesmos, vêm para o céu. O céu no homem é conhecer o Divino e ser conduzido pelo Divino. A primeira e principal coisa de toda religião é reconhecer o Divino. Uma religião que não reconhece o Divino não é religião. E os preceitos de toda religião se referem ao culto, assim, de que maneira o Divino deve ser cultuado, para que haja aceitação por Ele; e quando isto se assenta em seu espírito, isto é, quanto mais o homem quer, ou quanto mais ama, mais é conduzido pelo Divino. Sabe-se que os gentios vivem uma vida moral do mesmo modo que os cristãos e, muitos deles, melhor do que os cristãos. Vive-se a vida moral ou por causa do Divino ou por causa dos homens no mundo. A vida moral que se vive por causa do Divino é a vida espiritual; uma e outra, na forma externa, parecem semelhantes, mas na interna são completamente dessemelhantes. Uma salva o homem, a outra não salva, pois quem vive a vida moral por causa do Divino é conduzido pelo Divino, mas o que vive a vida moral por causa dos homens no mundo é conduzido por si mesmo. Mas isso vai ser ilustrado por um exemplo. Quem não faz mal ao próximo em razão de isso ser contra a religião, assim, contra o Divino, esse se abstém de fazer o mal por uma origem espiritual; mas quem não faz mal a outrem somente por causa do temor da lei, da perda do nome, da honra ou do lucro, assim, por causa do mundo, esse se abstém de fazer o mal por uma origem natural e é conduzido por si mesmo. A vida moral deste é natural, mas a daquele é espiritual. O homem cuja vida moral é espiritual tem o céu em si, mas aquele cuja vida moral é somente natural não tem o céu em si. A razão disso é que o céu influi pelo superior e abre os seus interiores e, pelos interiores, influi nos exteriores. O mundo, porém, influi pelos inferiores e abre os exteriores, mas não os interiores, pois não existe influxo do mundo natural no espiritual, mas do mundo espiritual no natural. Por esse motivo, se o céu não é recebido ao mesmo tempo, os interiores são fechados. Por aí se pode ver quem recebe o céu em si e quem o não recebe. Mas o céu em um não é semelhante ao céu em outro; difere em cada um segundo a afeição do bem e, assim, do vero. Os que estão na afeição do bem por causa do Divino, esses amam o Divino vero, pois o bem e o vero se amam mutuamente e querem ser conjuntos *221. Por isso os gentios, ainda que não estejam nos veros genuínos no mundo, recebem, todavia, esses veros na outra vida, pelo amor.

*221 Que haja uma espécie de casamento entre o bem e o vero (n. 1904, 2173, 2508). Que o bem e o vero estejam em uma conjunção nata perpétua e que o bem deseje o vero e a conjunção com este (n. 9205, 9207. 9495). De que maneira se faz a conjunção do bem e do vero (n. 3834, 3843, 4096, 4097, 4301, 4345, 4353, 4364, 4368, 5365, 7623-7627, 9258).

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