34. Dos gentios ou povos fora da igreja, no céu
318. É opinião geral que os que nasceram fora da igreja e são chamados pagãos *219 ou gentios, não podem ser salvos, porque não têm a Palavra e, assim, não conhecem o Senhor e sem o Senhor não há salvação. Mas que eles também sejam salvos, pode-se saber somente pelo fato de que a misericórdia do Senhor é universal, isto é, alcança cada um; que eles também nasçam homens, assim como os que estão na igreja – que são poucos, relativamente; e que não é culpa deles se não conhecem o Senhor. Qualquer um que pensa por alguma razão esclarecida pode ver que nenhum homem nasceu para o inferno, porque o Senhor é o Amor mesmo e o Seu amor é querer salvar a todos. Por isso, também, aprouve que existisse religião para todos e, por ela, o reconhecimento do Divino e da vida interior, porque viver segundo sua religiosidade é viver interiormente, pois se tem em vista o Divino e quanto mais se O tem em vista, menos se tem vista o mundo, mas se remove do mundo, assim, da vida do mundo, que é a vida exterior *220.
*219 N. do T. – No latim, gentes.
*220 Que os gentios sejam salvos igualmente aos cristãos (n. 932, 1032, 1059, 2284, 2589, 2590, 3778, 4190, 4197). Da sorte dos gentios e dos povos fora da igreja na outra vida (n. 2589-2604). Que a igreja em particular esteja onde há a Palavra e por ela o Senhor é conhecido (n. 3857, 10761). Mas que não sejam da igreja os que nascem onde há a Palavra e por ela o Senhor é conhecido, mas, sim, os que vivem a vida da caridade e da fé (n. 6637, 10143, 10153, 10578, 10645, 10829). Que a igreja do Senhor est eja em todos, em todo o mundo, que vivem no bem segundo sua religiosidade e reconhecem o Divino; e que sejam aceitos pelo Senhor e venham ao céu (n. 2589-2604, 2861, 2863, 3263, 4190, 4197, 6700, 9256).