HH 351

O Céu e o Inferno
Emanuel Swedenborg
O Céu e as suas Maravilhas, e o Inferno, Segundo o que foi ouvido e visto

. No mundo, acredita-se que os que sabem muito, seja pelas doutrinas da Igreja e da Palavra, seja pelas ciências, vêem os veros mais interiormente e com mais acuidade do que os outros, assim, que eles os entendam e saibam. Eles crêem o mesmo a respeito de si próprios. Mas agora se dirá, no que se segue, o que é a verdadeira inteligência e sabedoria, o que é a espúria e o que é a falsa. A verdadeira inteligência e sabedoria é ver e perceber o que é o vero e o bem e, assim, o que é o falso e o mal e distinguir muito bem entre elas e isso pela intuição e pela percepção interior. Em cada homem há interiores e exteriores; os interiores são as coisas que pertencem ao seu interno ou homem espiritual, as exteriores, porém, as que pertencem ao seu externo ou homem natural. Conforme os interiores foram formados e fazem um com exteriores, assim o homem vê e percebe. Os interiores do homem não podem ser formados senão no céu, mas os exteriores são formados no mundo. Quando os interiores foram formados no céu, então as coisas que estão aí influem nas exteriores que vêm do mundo e as formam para correspondência, isto é, para que haja como um. Quando se faz isso, o homem vê e percebe pelo interior. Para que os interiores sejam formados, há um único meio: que o homem olhe para o Divino e para o céu, pois, como foi dito, os interiores são formados no céu. E o homem olha para o Divino quando crê no Divino e crê que daí vêm todo vero e todo bem, por conseguinte, toda inteligência e sabedoria. E crê no Divino quando quer ser conduzido pelo Divino. Assim e não de outra maneira, os interiores do homem são abertos. O homem que está nessa fé e na vida segunda a fé, está no poder e na faculdade de entender e de saber, mas para que se torne inteligente e sábio, importa adquirir muitas coisas, não somente as que são do céu, mas também as que são do mundo: as que são do céu, pela Palavra e pela igreja; e as que são do mundo, pelas ciências. Quanto mais o homem as adquire e aplica à vida, mais se torna inteligente e sábio, pois tanto mais é aperfeiçoado pela visão interior, que é de seu entendimento e pela afeição interior, que é de sua vontade. Os simples desse gênero são aqueles em que os interiores foram abertos, mas não tanto cultivados pelos veros espirituais, morais, civis e naturais. Esses percebem os veros quando os ouvem, mas não os vêem em si. Os sábios desse gênero, porém, são aqueles em que os interiores foram não somente abertos, mas também cultivados. Esses vêem em si os veros e os percebem. Por aí é evidente o que é a verdadeira inteligência e sabedoria.

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