42. Da alegria e da felicidade celestes
395. Dificilmente alguém hoje sabe o que é o céu e o que é a alegria celeste. Os que pensaram sobre essas duas coisas conceberam uma idéia tão grosseira e tão geral que dificilmente é alguma idéia. Pelos espíritos que vieram do mundo à outra vida pude saber muito bem que noção tiveram a respeito do céu e da alegria celeste, pois, entregues a si mesmos, como foram no mundo, pensam de modo semelhante. A razão de não se saber o que é a alegria celeste é porque aqueles que pensaram sobre isso julgaram pelas alegrias externas que são do homem natural, tampouco souberam o que é o homem interno ou o homem espiritual, assim, não souberam qual é seu prazer e sua beatitude. Por isso, se aqueles que estiveram no prazer espiritual ou interno lhes dissessem o que é a alegria celeste, isso não poderia ser compreendido, porque cairia numa idéia desconhecida, assim, não na percepção, pelo que estaria entre as coisas que o homem natural rejeitaria. Todavia, qualquer um pode saber que o homem vem ao seu interno ou espiritual quando deixa seu homem externo ou natural. Por aí se pode saber que o prazer celeste é um prazer interno e espiritual, mas não externo e natural. E como é interno e espiritual, é mais puro e mais refinado e afeta os interiores do homem que pertencem à sua alma ou espírito. Qualquer um pode, só por isso, concluir que há para ele um prazer que é tal qual foi o prazer de seu espírito e que o prazer do corpo, que se chama prazer da carne, é, relativamente, não celeste. Também, aquilo que está no espírito do homem permanece após a morte quando ele deixa o corpo, pois então vive como homem-espírito.