. Quanto prazer há no céu, pode-se ver somente por isso, que o prazer de todos ali é comunicar seus prazeres e suas beatitudes aos outros; e porque todos nos céu são assim, é evidente quão imenso é o prazer do céu. Pois, como foi mostrado acima (n. 268), há nos céus comunicação de todos com cada um e de cada um com todos. Essa comunicação é profluente dos dois amores do céu, que são, como se disse, o amor ao Senhor e o amor para com o próximo. Esses amores são comunicativos de seus prazeres. Que seja tal o amor ao Senhor, é porque o amor ao Senhor é o amor da comunicação de tudo o que é seu com todos, pois quer a felicidade de todos. Um amor semelhante está em cada um daqueles que O amam, pois que o Senhor está neles. Daí procede a comunicação dos prazeres mútuos dos anjos entre si. Que também seja tal o amor para com o próximo, será visto na seqüência. Por aí se pode ver que esses amores são comunicativos de seus prazeres. É diferente com os amores de si e do mundo; o amor de si tira e arrebata todo o prazer dos outros e o atrai para si, pois quer bem a si só e o amor do mundo quer que sejam suas as coisas do próximo. Por isso, esses dois amores são destrutivos do prazer nos outros. Se são comunicativos, é por causa de si e não por causa dos outros. Por isso, em relação aos outros, não são comunicativos, mas destrutivos, a não ser na medida em que o prazer deles estejam consigo ou em si. Que sejam tais os amores de si e do mundo, quando reinam, foi dado perceber muitas vezes por viva experiência. Todas as vezes que se aproximaram espíritos que, quando viveram como homens no mundo, estiverem nesses amores, todo o meu prazer se afastava e se dissipava. E me foi dito também que se eles se aproximam de alguma sociedade celeste, o prazer daqueles que estão na sociedade é diminuído absolutamente na proporção de sua presença. E, o que me admirou, aqueles maus então se acham em seu prazer. Assim tornou-se-me evidente qual é o estado do espírito do homem no corpo, pois é semelhante após a separação do corpo, a saber, inveja ou cobiça os prazeres ou bens de outrem e, quanto mais os obtém, mais tem prazer. Por aí se pode ver que os amores de si e do mundo são destrutivos das alegrias do céu, assim, inteiramente opostos aos amores celestes, que são comunicativos.
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