HH 400

O Céu e o Inferno
Emanuel Swedenborg
O Céu e as suas Maravilhas, e o Inferno, Segundo o que foi ouvido e visto

. Mas deve-se saber que o prazer em que se acham aqueles que estão nos amores de si e do mundo, quando se aproximam de alguma sociedade celeste, é o prazer de suas concupiscências, assim, também inteiramente oposto ao prazer do céu. Eles entram no prazer de suas concupiscências pela privação e remoção do prazer celeste nos que estão ali. Acontece diferentemente quando não há privação nem remoção: então eles não podem se aproximar, porque, quanto mais se aproximam, mais têm angústia e dores; assim é que raramente ousam chegar mais perto. Isso também foi dado saber por muitas experiências, das quais quero também referir alguma coisa. Espíritos que vêm do mundo à outra vida nada cobiçam mais intensamente do que virem ao céu; quase todos desejam isso, crendo que o céu não é outra coisa senão ser introduzido e recebido ali. Por disso, como o desejam, são levados a alguma sociedade do céu. Os que estão no amor de si e do mundo, tão logo vêm ao primeiro limiar desse céu, começam a ficar angustiados e atormentados interiormente, ao ponto de sentirem que estão mais no inferno do que no céu. Por esse motivo, se precipitam e se lançam dali abaixo e não descansam até estar entre os seus, nos infernos. Aconteceu muitas vezes, também, que eles desejavam conhecer o que é a alegria celeste; e quando ouviram que ela está nos interiores dos anjos, desejaram que lhes fosse comunicada, pelo que, também, isto se fez, pois aquilo que deseja o espírito que ainda não está no céu ou no inferno, isso lhe é concedido, se for adequado. Feita a comunicação, começaram a se atormentar de tal modo que não sabiam como se manter em seu corpos, por causa da dor. Eu os vi caírem de cabeça, lançarem-se ao chão e aí se contorcerem em voltas como serpentes e isso por causa da tormenta interior. Assim é o efeito do prazer celeste naqueles que estiveram nos prazeres pelo amor de si e do mundo. A razão disso é porque esses amores são inteiramente opostos e quando o oposto age no oposto produz essa dor; e como o prazer celeste entra por uma via interna e influi num prazer contrário, torcem para trás os interiores que estão nesse prazer, assim, no que lhe é posto, pelo que ocorre o tormento. Que sejam opostos, é porque – como foi dito acima – o amor ao Senhor e o amor para com o próximo querem comunicar aos outros todas as suas coisas, pois esse é o seu prazer e o amor de si e do mundo quer tirar dos outros as suas coisas e desviá-las para si e quanto mais podem fazê-lo, mais estão no prazer. Por aí, também, se pode saber donde vem que o inferno esteja separado do céu, pois todos os que estão nos infernos, quando viviam no mundo, estavam somente nos prazeres do corpo e da carne pelo amor de si e do mundo, enquanto todos os que estão nos céus, quando viviam no mundo, estavam nos prazeres da alma e do espírito pelo amor ao Senhor e pelo amor para com o próximo. Como esses amores são opostos, por isso, também, os infernos foram inteiramente separados do céu e, na verdade, tão separados, que o espírito que está no inferno não ousa expor fora dali um dedo sequer, nem elevar dali o alto da cabeça, pois, por pouco que expõe ou se eleva, é torcido e atormentado. Isto também vi muitas vezes.

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