. Quase todos os que vêm à outra vida acham que o inferno é semelhante para cada um e que também o céu para cada um é semelhante, quando, todavia, há em um e outro variedades e diversidades infinitas; nunca o inferno de um é inteiramente semelhante ao de outro, nem o céu de um é inteiramente semelhante ao de outro, assim como não existe um homem, anjo ou espírito inteiramente semelhante ao outro, nem mesmo quanto à face. Quando eu somente pensava que duas coisas pudessem ser inteiramente semelhantes ou iguais, os anjos ficaram horrorizados, dizendo que toda unidade é formado do consenso harmônico de muitos e que a unidade é tal qual esse consenso é; e que é assim que a sociedade de todos no céu faz um e todas as sociedades fazem um céu, e isso pelo Senhor somente, por meio do amor *256. Os usos nos céus existem, semelhantemente, em toda variedade e diversidade; o uso de um nunca é inteiramente semelhante ou o mesmo que o uso de outro, portanto, nem o prazer de semelhante ao de outro. E, ainda mais, os prazeres de cada uso são inumeráveis e esses inumeráveis são semelhantemente variados, mas sempre conjuntos em ordem para se considerarem mutuamente, tal como os usos de cada membro, órgão e víscera no corpo e, ainda mais, tal como cada vaso e fibra em cada membro, órgão e víscera, os quais, todos e cada um deles, foram assim consociados para que considerem seu bem no outro e, assim, cada um em todos e todos em cada um. Por esse aspecto universal e singular agem como se fossem um só.
*256 Que a unidade consista de coisas variadas e daí receba a forma, a qualidade e a perfeição segundo a qualidade da harmonia e do consenso (n. 457, 3241, 8003). Que haja a variedade infinita e nunca algo é o mesmo que outro (n. 7236, 9002). Nos céus se dá o mesmo (n. 3744, 4005, 7236, 7833, 7836, 9002). Que, assim, todas as sociedades nos céus e cada anjo na sociedade, se distingam uns dos outros, porque estão em variados bens e usos (n. 690, 3241, 3519, 3804, 3986, 4067, 4149, 4263, 7236, 1833). Que o Divino amor do Senhor disponha todos na forma celeste e os conjunge como se fossem um único homem (n. 457, 3986, 5598).