. O homem não pode pensar nem querer a não ser que haja um sujeito que é a substância da qual e na qual ele pense e queira. O que se supõe existir sem um sujeito substancial, isso nada é. Isso se pode saber pelo seguinte: o homem não pode ver sem o órgão que é o sujeito de sua visão, nem ouvir sem o órgão que é o sujeito de sua audição. Sem eles, a visão e a audição nada são nem existem. Assim, também o pensamento, que é a visão interna, e a percepção, que é a audição interna, absolutamente não existiriam se não estivessem nas substâncias e pelas substâncias que são formas orgânicas e sujeitos. Por aí se pode ver que o espírito do homem está igualmente numa forma e essa é a forma humana que desfruta igualmente dos sensórios e sentidos quando se separa do corpo, tal como quando estava nele. E tudo que é do homem quanto à vida do olho e tudo quanto à vida do ouvido, numa palavra, tudo quanto à vida dos sentidos, não é de seu corpo, mas de seu espírito neles e nas coisas mais singulares deles. Assim é que os espíritos, igualmente ao homem, vêem, ouvem e sentem, mas após o desprendimento do corpo; não no mundo natural, mas no espiritual. O que o espírito tinha sentido naturalmente quando estava no corpo era pelo material que lhe fora acrescentado, mas, então, sentia ao mesmo tempo espiritualmente, pensando e querendo.
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