HH 435

O Céu e o Inferno
Emanuel Swedenborg
O Céu e as suas Maravilhas, e o Inferno, Segundo o que foi ouvido e visto

. Essas coisas foram ditas a fim de que o homem racional seja convencido de que o homem, considerado em si mesmo, é um espírito; o corpo, acrescentado a ele por causa das funções no mundo natural e material, não é o homem, mas somente o instrumental de seu espírito. Mas é preferível mostrar as confirmações da experiência, visto que as coisas racionais não são compreendidas por muitos e, naqueles que se confirmaram no contrário, são mudadas em coisas dúbias pelos raciocínios provenientes das falácias dos sentidos. Aqueles que se confirmaram no contrário costumam pensar que os animais vivem e sentem do mesmo modo e que, assim, também têm um espiritual semelhante ao do homem, que, no entanto, morre com o corpo. Mas não existe nos animais um espiritual tal como o espiritual do homem, porque o homem, mas não os animais, tem um íntimo em que o Divino influi e eleva a Si e pelo qual o conjunta a Si. Por isso o homem, diferentemente do animal, pode pensar em Deus e nos Divinos que são do céu e da igreja, amar a Deus por eles e neles e, assim, conjungir-se a Ele. O que é conjungido ao Divino não pode ser dissipado, mas o que não é conjungido ao Divino, isso é dissipado. Acima (n. 39) se tratou desse íntimo que o homem tem a mais que os animais e isso é de novo lembrado aqui porque importa dissipar as falácias apreendidas a esse respeito, como fazem muitos que, por defecção das ciências e pelo entendimento não aberto, não podem concluir racionalmente sobre isso. São estas as palavras ali citadas:
“Quero relatar, a respeito dos anjos dos três céus, certo arcano que não veio à mente alguma, porque os graus não foram compreendidos (sobre isso, n. 38), a saber, que em cada anjo e em cada homem existem graus íntimos ou supremos, ou certo íntimo e supremo em que o Divino do Senhor influi primeiro ou mais de perto e a partir do qual Ele dispõe as demais coisas interiores, que se sucedem segundo os graus da ordem neles. Esse íntimo ou supremo pode ser chamado entrada do Senhor para o anjo e para o homem e é a Sua morada mesma neles. Por esse íntimo ou supremo o homem é homem e é distinguido dos animais brutos, pois estes não o têm. Por isso é que, diferentemente dos animais, o homem pode, quanto a todas as coisas interiores, que são de sua mente e disposição, ser elevado pelo Senhor a Ele, crer n’Ele, ser tocado pelo amor a Ele e, assim, vê-Lo e pode receber inteligência e sabedoria e falar pela razão. Assim é também que ele vive eternamente. Mas o que é disposto e provido pelo Senhor no íntimo do homem não influi de modo manifesto à percepção de anjo algum, porque está acima de seu pensamento e excede a sua sabedoria.”

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