. O espírito do homem, logo que entra no mundo dos espíritos, o que acontece logo após sua ressuscitação (de que se tratou acima), tem uma face semelhante e semelhante som da fala, em que esteve no mundo. A razão é porque está no estado de seus interiores e o esses interiores ainda não foram desvendados. Esse é o primeiro estado do homem após a morte. Depois, porém, sua face se muda e se torna inteiramente diferente; faz-se semelhante à sua afeição ou seu amor reinante, no qual estiveram no mundo os interiores que são de sua mente e no qual esteve seu espírito no corpo. Pois a face do espírito do homem difere muito da face de seu corpo; a face do corpo é derivada dos pais, enquanto a face do espírito é derivada de sua afeição, cuja imagem é. A ela vem o espírito após a vida no corpo, quando os exteriores são removidos e os interiores revelados. Esse é o terceiro *267 estado do homem. Vi alguns recém-chegados do mundo e os conheci pela face e pela linguagem, mas, quando os vi depois, não os reconheci. Os que estiveram em boas afeições são vistos com uma face bela, mas os que estiveram em afeições más, com uma face disforme. Porque o espírito do homem, considerado em si mesmo, não é outra coisa senão sua afeição e sua forma externa é a face. A razão, também, por que as faces são mudadas, é porque na outra vida a ninguém é permitido simular afeições que não são propriamente suas, assim, exibir em si uma face contrária ao amor em que está. Todos, quaisquer que sejam, são ali postos num estado de falar tal como pensam e de mostrar pelo rosto e pelos gestos tal como querem. Assim é, pois, que as faces de todos se tornam formas e efígies de suas afeições e assim é que todos os que se conheceram no mundo se conhecem também no mundo dos espíritos, mas não no céu e no inferno, como se disse acima (n. 427) *268.
*267 N. do T. – “Terceiro”. Assim está na primeira edição, mas talvez deva ser “segundo”.
*268 Que a face seja formada à correspondência dos interiores (n. 4791-4805, 5695). Da correspondência da face e seu rosto com as afeições da mente (n. 1568, 2988, 2989, 3631, 4796, 4797, 4800, 5165, 5168, 5695, 9306). Que a face faça um com os interiore s da mente nos anjos do céu (n. 4796-4799, 5695, 8250). Que, por isso, a “face”, na Palavra, signifique os interiores que são da mente, isto é, que são da afeição e do pensamento (n. 1999, 2434, 3527, 4066, 4796, 5102, 9306, 9546). De que maneira o influ xo do cérebro na face é mudado no decorrer do tempo e, com ele, a face mesma quanto à correspondência com os interiores (n. 4326, 8250).