HH 456

O Céu e o Inferno
Emanuel Swedenborg
O Céu e as suas Maravilhas, e o Inferno, Segundo o que foi ouvido e visto

. Que o espírito do homem, após a separação do corpo, seja homem e em uma forma semelhante, é o que me foi provado por uma experiência diária de muitos anos, pois os vi e ouvi milhares de vezes e falei com eles, inclusive sobre isso, que os homens no mundo não crêem que eles sejam tais e os que crêem são considerados simples pelos eruditos. Os espíritos se condoeram de coração por tal ignorância ainda persistir no mundo e, ainda mais, na igreja. Mas, disseram que essa fé emanava principalmente dos eruditos, que tinham pensado sobre a alma a partir sensuais corpóreos, pelo que não conceberam a respeito dela outra idéia senão a de que é somente um pensamento que, sem algum sujeito no qual esteja e pelo qual seja considerada, é como algum volátil do puro éter que, quando o corpo morre, não pode deixar de se dissipar. Mas como a igreja crê, pela Palavra, na imortalidade da alma, não puderam deixar de lhe acrescentar algum vital, qual é do pensamento, mas não um sensitivo, qual é do homem, antes de ser novamente conjunta ao corpo. Sobre essa opinião é fundada a doutrina da ressurreição e a fé numa futura conjunção, quando vier o juízo final. Assim é que, quando alguém pensa sobre a alma pela doutrina e, ao mesmo tempo, por essa hipótese, não entende absolutamente que ela seja o espírito e esteja na forma humana. Acresce que quase ninguém hoje sabe o que é o espiritual e ainda menos que haja uma forma humana nos que são espirituais, quais são todos os espíritos e anjos. Daí sucede que quase todos os que vêm do mundo ficam imensamente admirados de estarem vivos e de serem homens tais como eram antes, que vêem, ouvem e falam e que seus corpos sejam dotados de tato como antes e que em nada diferem, absolutamente (veja-se acima, n. 74). Mas, quando cessa a admiração, ficam então admirados de que a igreja nada saiba sobre tal estado dos homens após a morte, assim, tampouco sobre o céu e o inferno, quando, todavia, todos quantos viveram no mundo estão na outra vida e vivem como homens. E como também se admiraram por que isso não tenha sido manifestado ao homem por meio de visões, por ser um essencial da fé da igreja, foi-lhes dito do céu que isso poderia ser feito, pois nada é mais fácil ao Senhor, quando Lhe apraz, mas que, todavia, os que se confirmaram nos falsos contra isso não o creriam, ainda que o vissem. Também, que é perigoso para alguém que está nos falsos se confirmar por meio de visões, porque, se primeiro cressem e depois negassem, iriam profanar esse vero, pois profanar é crer e depois negar. E os que profanam os veros são precipitados nos infernos mais ínfimos e mais graves de todos *266. É esse perigo que se entende pelas palavras do Senhor:
“Cegou os seus olhos e endureceu os seus corações, para que não vejam com os olhos e entendam com o coração e se convertam e Eu os cure” (Jo. 12:40).
E que os que estão nos falsos ainda assim não o creriam, por estas:
“Disse Abrahão ao rico no inferno: Têm Moisés e os profetas, que os ouçam. Ele, porém, disse: Não, pai Abrahão, mas se algum dos mortos vier a eles, se converterão. Abrahão, porém, lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, não creriam, ainda que se algum dos mortos ressuscitasse” (Luc. 16:29-31).

*266 Que a profanação seja a mistura no homem do bem e do mal, como também do vero e do falso (n. 6348). Que só possam profanar o vero e o bem, ou as coisas santas da Palavra e da igreja, os que primeiro os reconhecem e ainda mais se vivem segundo eles e , em seguida, se afastam da fé, os negam e vivem para si e o mundo (n. 593, 1008, 1010, 1059, 3398, 3399, 3898, 4289, 4601, 10284, 10287). Se o homem, depois da penitência de coração retorna aos males anteriores, profana e seu estado posterior se torna e ntão pior do que antes (n. 8394). Que não possam profanar as coisas santas aqueles que as não reconheceram, ainda menos os que não as conhecem (n. 1008, 1010, 1059, 9188, 10284). Que as nações que estão fora da igreja e não têm a Palavra não possam profa nar (n. 1327, 1328, 2051, 2084). Que, por isso, não foram reveladas aos judeus os veros interiores, pois, se fossem revelados e reconhecidos, eles os teriam profanado (n. 3398, 4289, 6963). Que a sorte dos profanadores na outra vida é a pior de todas, po rque permanecem o bem e o vero que eles reconheceram e também o mal e o falso; e como são coerentes, dá-se uma dilaceração da vida (n. 571, 582, 6348). Que, por isso, o Senhor provê com o maior cuidado que não haja profanação (n. 2426, 10287).

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