. Visto que os feitos ou obras são da vontade e do pensamento, por isso também são do amor e da fé; por conseguinte, são tais quais o amor e a fé. Pois é a mesma coisa dizer amor ou vontade do homem ou dizer fé ou pensamento correto do homem, porque o que o homem ama, isso também quer e o que o homem crê, isso também pensa. Se o homem ama o que crê, então também quer isso e o faz quando pode. Qualquer um pode saber que o amor e a fé se acham presentes na vontade e no pensamento do homem e não fora deles, porquanto é a vontade que é inflamada pelo amor e é o pensamento que é iluminado nas coisas da fé. Por isso, somente os que podem pensar sabiamente são iluminados e, segundo a iluminação, pensam nos veros e querem os veros, ou, o que é o mesmo, crêem nos veros e amam os veros *271.
*271 Assim como todas as coisas no universo, que existem segundo a ordem, se referem ao bem e ao vero, assim também, no homem, se referem à vontade e ao entendimento (n. 803, 10122). A razão é porque a vontade é o recipiente do bem e o entendimento é o r ecipiente do vero (n. 3332, 3623, 5232, 6065, 6125, 7503, 9300, 9995). Resulta no mesmo dizer vero ou fé, porque a fé é do vero e o vero é da fé; e resulta no mesmo dizer o bem ou o amor, porque o amor é do bem e o bem é do amor (n. 4353, 4997, 7179, 101 22, 10367). Segue-se daí que o entendimento é o recipiente da fé e a vontade é recipiente do amor (n. 7179, 10122, 10367). E é porque o entendimento do homem pode receber a fé em Deus e a vontade o amor em Deus, que o homem pode ser conjunto a Deus pela fé e pelo amor; e o que pode ser conjunto a Deus pelo amor e pela fé não pode morrer na eternidade (n. 4525, 6323, 9231).