HH 532

O Céu e o Inferno
Emanuel Swedenborg
O Céu e as suas Maravilhas, e o Inferno, Segundo o que foi ouvido e visto

. Cada um pode saber que os pensamentos são levados segundo as intenções e para elas tendem, ou, para aquilo que o homem tende. Com efeito, o pensamento é a visão interna do homem e é semelhante à visão externa, que se volta para aquilo que se tem em intenção e aí se fixa. Se, pois, a visão interna ou o pensamento se volta para o mundo e aí se detém, segue-se que o pensamento se torna mundano; se se volta para si e para sua honra, torna-se corpóreo; mas, se se volta para o céu, torna-se celeste. Por conseguinte, se é para o céu, é elevada; se é para si, é removida do céu e imergida no corpóreo; se é para o mundo, também é desviada do céu e se perde nas coisas que estão diante dos olhos. É o amor do homem que faz a intenção e determina a sua visão interna ou o pensamento para os seus objetos; assim, o amor de si para si e as suas coisas, o amor mundo para as coisas mundanas e o amor do céu para as coisas celestes. Por essas explicações pode-se saber em que estado se acham os interiores que são da mente do homem, quando se conhece o seu amor, a saber, naquele que ama o céu, os interiores foram elevados para o céu e abertos por cima; naquele que ama o mundo e a si mesmo, os interiores foram fechados por cima e abertos nos exteriores. Daí se pode concluir que, se os interiores que são da mente foram fechados, o homem não pode mais ver os objetos que são do céu e da igreja; esses estão, nele, na escuridão, e as coisas que estão na escuridão ou são negadas ou não são compreendidas. Assim, aqueles que se amam e amam ao mundo acima de todas as coisas, visto que neles os superiores da mente foram fechados, negam de coração os Divinos veros e, se falam sobre algum deles pela memória, todavia não os compreendem. Também os consideram de modo não diferente do que consideram as coisas mundanas e corpóreas; e, porque são tais, não podem volver a mente senão para as coisas que entram pelos sentidos do corpo, sendo essas as únicas que lhes deleitam. Entre essas há até muitas que são também imundas, obscenas, profanas e criminosas, as quais não podem ser removidas porque neles não existe influxo do céu nas suas mentes, uma vez que estas estão fechadas por cima, como foi dito. A intenção do homem, pela qual é determinada sua visão interna ou seu pensamento, é sua vontade, pois aquilo que o homem quer, para isso tende e aquilo para que tende, isso pensa. Por isso, se tende para o céu, para aí seu pensamento é determinado e, com ele, toda a sua mente que, assim, está no céu. Dali considera, em seguida, as coisas que são do mundo como abaixo de si, como do teto de uma casa. Assim, quando os interiores de sua mente foram abertos, o homem pode ver os males e falsos que nele se acham, pois esses estão abaixo da mente espiritual. E, vice-versa, o homem em que os interiores não foram abertos não pode ver seus males e falsos, porque se acha neles e não acima deles. Por aí se pode concluir de onde vem a sabedoria para o homem e de onde lhe vem a loucura; também, o que o homem será após a morte, quando será deixado a querer e a pensar, como também a agir e a falar, segundo seus interiores. Essas coisas foram ditas para que se saiba como o homem é interiormente, por mais que pareça semelhante a outro exteriormente.

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