. Que não seja tão difícil como se crê viver a vida do céu, é evidente agora por isso: é necessário somente que a pessoa, quando lhe ocorrer algo que sabe ser insincero e injusto, para o qual o espírito é levado, pense que isso não deve ser feito porque é contra os preceitos Divinos. Se o homem se acostumar a pensar assim e, pelo costume, adquirir algum hábito, então será, pouco a pouco, conjunto ao céu. E quanto mais for conjunto ao céu, mais serão abertos os superiores que são de sua mente; e quanto mais esses forem abertos, mais verá o que é insincero e injusto; e quanto mais os vir, mais poderão ser dissipados, pois mal algum pode ser dissipado antes de ser visto. Esse é um estado em que o homem pode entrar pelo livre, pois quem não pode pelo livre pensar assim? E, uma vez iniciado aí, o Senhor opera, então, todos os bens nele e faz que não somente veja os males, mas também que os não queira e, em seguida, lhes tenha aversão. Isto é o que se entende pelas palavras do Senhor:
“O jugo Meu... é fácil e meu fardo é leve” (Mat. 11:30).
Deve-se saber, porém, que a dificuldade de pensar assim e, também, de resistir aos males, aumenta na medida em que o homem pratica os males pela vontade. Com efeito, acostuma-se tanto com eles que, finalmente, não os vê e, em seguida, os ama e desculpa pelo prazer do amor e os confirma por todo gênero de falácias, chamando-lhes de lícitos e bons. Mas isso se dá naqueles que desde a idade da adolescência se lançaram nos males sem restrição e, então, rejeitaram ao mesmo tempo e de coração as coisas Divinas.
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