. Apareceram-me alguns espíritos na região ocidental, para o sul, que diziam ter sido constituídos em grande dignidade no mundo e que mereciam ser preferidos aos outros e neles mandar. Foram examinados pelos anjos quanto ao que interiormente eram e se descobriu que em suas ocupações no mundo não tinham considerado os usos, mas a si mesmos e, assim, que se preferiram aos usos. Mas como ambicionavam e exigiam veementemente comandar os outros, foi-lhes concedido ficar entre os que se ocupavam das coisas relativas aos negócios mais dignos. Percebeu-se, porém, que não podiam prestar atenção alguma aos negócios de que tratavam, nem ver a coisa interiormente em si e que falavam não pelo uso da coisa, mas pelo proprium, como também queriam agir pelo bel-prazer segundo o favor. Por esse motivo, foram dispensados da função e se deixou que fossem procurar funções para si em outro lugar. Prosseguiram, pois, adiante, na região ocidental, onde foram recebidos aqui e ali, mas em toda parte lhe disseram que não pensavam senão em si e em coisa alguma além de si, assim, que eram estúpidos e como que espíritos corpóreos e sensuais somente. Por isso, foram banidos de toda parte aonde foram. Após algum tempo, foram vistos chegar ao extremo e pedir esmola. Assim, também, tornou-se-me evidente que aqueles que estão no amor de si, ainda que pelo fogo do amor de si pareçam falar como sábios no mundo, fazem isso, porém, pela memória somente e não por alguma luz da razão. Por isso, na outra vida, quando não é mais permitido reproduzir a coisa que está na memória natural, são mais estúpidos do que os outros e isso em razão de se terem separado do Divino.
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